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Serena sonhou com regresso perfeito e acabou a chorar supertiebreak dramático

Serena sonhou com regresso perfeito e acabou a chorar supertiebreak dramático

Aos 40 anos, Serena Williams lutou como a super campeã que é, mas acabou eliminada na primeira ronda de Wimbledon. Regresso infeliz para a norte-americana que esteve um ano sem jogar no circuito WTA. Mérito para Harmony Tan que soube manter a calma nos momentos de maior pressão.

Por momentos o tempo parou. O final de tarde e início de noite, da passada terça-feira, trouxe consigo a possibilidade de ver a rainha do ténis pisar novamente o court. Sim, é de Serena Williams que se está a falar. Um ano depois, a ex-número um do mundo esteve muito perto de regressar com um triunfo, mas acabou eliminada no tie-break do terceiro set após uma dura batalha de três horas e quinze minutos.

Silêncio... Serena vai servir. Foi mais ou menos assim, com as unhas preparadas para eventuais ataques de nervos, que os fãs de ténis encararam o momento em que a eterna campeã voltou a bater na bola. Só que como seria de esperar, a ferrugem de um ano de paragem fez-se sentir desde cedo e a norte-americana começou o 1 set a sofrer o break. Quem já viu Tan jogar sabe que a 115.ª do ranking feminino não é propriamente muito agressiva no momento da pancada e, foi por aí, que Serena conseguiu reverter os erros. Não só igualou (2-2), como avançou para dois breaks consecutivos (4-2), mas no momento de dar o golpe final surgiram os primeiros sinais de alarme. Errática (22 faltas não provocadas) e mal posicionada, Serena deixava bem evidentes as dificuldades que estava a sentir. Custou-lhe um set que Tan amealhou com todo o mérito (7-5).

Como é tradição em Wimbledon, sem luz natural não há jogos. Só que quando se joga no Court Central o problema é facilmente resolvido. O teto fechou, as jogadoras fizeram uma pausa (cerca de 10 minutos) e Serena acabou a agradecer. Com tempo para colocar as ideias no sítio, a norte-americana começou, definitivamente, a dar menos pontos de borla à francesa e a história inverteu-se. Show à moda antiga e tudo empatado depois de um segundo set com números expressivos (6-1 para Serena).

A partir daqui... quem não acreditaria na reviravolta? Talvez quase toda a gente, menos Tan. Aos 24 anos - 16 a menos que Serena - a tenista francesa provou ter maturidade suficiente para encarar o momento. Ainda para mais depois do que a norte-americana conseguiu. Motivada pelo que tinha alcançado e empurrada pelo público, chegou ao 3-1, mas rapidamente viu Tan deixar tudo igual (3-3). Serena insistiu, continuou a ser agressiva, e voltou a quebrar o serviço à francesa. Era capaz de sentir o cheiro do triunfo. Aquele que inalou infinitas vezes ao longo da carreira. Mas ao servir para fechar... o braço tremeu (5-5). Terminadas as trocas de breaks, tudo iria ser decidido no supertiebreak (até aos 10 pontos) e foi aí que o sonhou virou pesadelo. Serena chegou ao 4-0, mas permitiu, uma vez mais, que Tan conseguisse continuar a respirar (4-4). Só que desta vez foi fatal. Tan acreditou mais do que alguma vez imaginou e congelou o Court Central. Merecido. Jogou para isso frente à melhor de sempre (para muitos).

Agora 1204.ª do ranking, Serena tem pela frente um caminho duro. E, talvez, nem o queira percorrer. Afinal a idade já não ajuda. Na passada terça-feira mostrou que a vontade de sorrir é muita. Revelou dificuldades (normal!), mas festejou cada ponto como se estivesse a começar a carreira. Seja qual for a decisão, ninguém irá apagar os 23 Grand Slams conquistados por uma estrela que nasceu para brilhar. Serena será sempre Serena. E seja qual for o resultado, continuará a ser um privilégio vê-la jogar.

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