Sérgio Conceição

"O maior mérito de todos estes jogadores é que souberam acreditar num momento difícil"

"O maior mérito de todos estes jogadores é que souberam acreditar num momento difícil"

Festa do título no estádio terminada e balneário vazio, foi tempo do treinador do F. C. Porto falar mais calmamente ao Porto Canal sobre as peripécias de uma longa e difícil temporada.

Sérgio Conceição começou por elogiar a atitude dos jogadores, que mesmo quando o título parecia uma miragem, acreditaram que seria possível dar a volta. "Este plantel representa o que é a minha família desportiva. Muitas vezes é difícil perceber e entender o que é o verdadeiro ADN do F. C. Porto, porque tivemos muita gente que veio para o clube sem conhecer o que é a nossa cultura. Gente muito disponível para aprender e perceber que aqui há uma palavra que é mais importante que as outras todas: ganhar. Essa humildade e aceitação, associada à qualidade que eles têm, deixa-me feliz e orgulhoso, porque são jogadores que levam com o treinador que não é nada fácil, muitos deles miúdos, diferentes da geração que o F. C. Porto tinha há uns anos, e não é fácil esse impacto", afirmou o técnico campeão.

E contou quais foram as palavras que dirigiu aos jogadores na já habitual roda no final do clássico deste quarta-feira. "Disse-lhes no final do jogo com o Sporting que o maior mérito de todos estes jogadores é que souberam acreditar num momento difícil, quando estávamos distantes do nosso rival, que era possível. Trabalharam no duro, boca fechada e com uma grande vontade e atitude em todos os dias em que pedimos esse espírito de sacrifício e determinação. E não foi fácil. Só quem está dentro do balneário, só quem está connosco diariamente percebe o que estou a dizer", avançou.

E o segredo para conseguir ultrapassar todas as dificuldades e dar a volta a sete pontos de desvantagem e torná-los em oito a favor para Sérgio Conceição que foi acreditar sempre num final feliz. E complementa: "Foi fundamental passar para a equipa a minha essência. O ser genuíno, o perceber que faltavam muitas jornadas para acabar o campeonato, mesmo sabendo que estávamos a passar por momentos muito difíceis, e que a maior parte das pessoas e muitos adeptos deixaram de acreditar. Recebi mensagens nesse sentido, que roçaram o insulto. Mas hoje estou aqui e posso dizê-lo com muito orgulho de representar este clube e estas cores que me dizem tanto, que não fui mais do que o que tinha de ser. A minha maneira de estar e de pensar é exatamente a mesma de grandes homens que passaram por este clube e fizeram dele um clube ganhador, como o nosso presidente. A partir desse momento os jogadores entenderam que o líder, que o timoneiro da equipa acreditava, mas acreditava verdadeiramente. Não era bluff".

"Se há uma coisa que os jogadores têm hoje é serem muito perspicazes e muito inteligentes naquilo que é essa perceção de quem está à frente e a liderar a equipa e da qualidade do trabalho.

Eles perceberam que o que estava a dizer era de uma forma verdadeira e que acreditava verdadeiramente que nós podíamos lutar pelo campeonato ainda, perante todas as adversidades, todas as dificuldades, como momentaneamente estávamos a passar", frisou o treinador, acrescentando: "Mas isso faz parte do futebol. Não fui eu, fui eu e mais alguns. Nesta casa ninguém desiste, nesta casa estamos todos focados naquilo que é o nosso trabalho. Obviamente passamos por momentos difíceis, como foi aquele período de janeiro, onde perdemos um jogo importante em casa com o S. C. Braga e depois perdemos a final da Taça da Liga, mas fomos à luta e estamos na luta, porque ganhámos o campeonato e estamos na final da Taça de Portugal".

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Por isso mesmo, o treinador disse aos jogadores para desfrutarem da festa naquele momento, pois os dias seguintes seriam de preparação para a final da prova rainha, marcada para 1 de agosto.

E por saber que para respirar de alívio ainda falta um pouco, é que não conseguiu viver em pleno a conquista do título. "Sou um bicho um bocado raro. Para lhe explicar o porquê do meu estado de espírito levava aqui algum tempo. Estou muito feliz por este momento, por aquilo que é esta alegria da parte de toda a gente, daqui de dentro, mas também dos adeptos que fazem parte de nós, da nossa família e do nosso balneário. Mas no fundo estou a pensar já noutras situações. Que me perdoem as pessoas, mas de festas não gosto muito, estou já a pensar naquilo que é a semana de trabalho, a programar o que é o nosso curto espaço de tempo para preparar o jogo com o Moreirense e depois com o SC Braga e a Taça de Portugal, que é o jogo mais importante para nós, pois fecha este ciclo e esta longuíssima época. Estamos focados, estamos a desfrutar do momento e que os jogadores, famílias e adeptos desfrutem muito. Eu vou para casa com a minha família desfrutar destes momentos dentro daquilo que sou eu", justificou Sérgio Conceição.

O treinador dos azuis e brancos mostrou-se também muito orgulhoso do plantel que construiu. E explica: "Sinto um orgulho grande, pois estamos a falar de jogadores, alguns deles praticamente não tinham noção que poderiam integrar o plantel do F. C. Porto. Como o Aboubakar, que esteve emprestado, o Loum que estava no Moreirense emprestado pelo Braga, esta miudagem que veio nova, mas que está no clube há muitos anos e que estava na equipa B. Temos também o Marega, o Romário, o Luis Díaz, que é um jovem que chegou de um futebol completamente diferente do nosso e com uma uma margem de progressão enorme. É um orgulho ver incluídos no meio desta gente jovens do clube e jovens que não pertencia ao clube naquilo que foi a sua formação, mas que vieram acrescentar algo de importante".

Com a entrevista quase a terminar, Pinto da Costa passou pelo balneário e ofereceu um pin de campeão ao treinador. "Não preciso disto para sentir o clube e estas cores da forma que sinto, assim como o presidente. São 29 títulos, mais de 20 são na presidência deste senhor que está aqui à nossa frente. É um orgulho é um ídolo para mim, e não estou a ser puxa-saco, pois não preciso disso. É um ídolo para todos os portistas, grande referência deste clube e tenho de lhe agradecer pela aposta que fez em mim, que não era fácil, e num momento tão difícil no F. C. Porto. A mim deixa-me extremamente orgulhoso", enalteceu Sérgio Conceição.

E o presidente do F. C. Porto retribuiu os elogios: "Este campeonato foi merecidíssimo e só foi possível, nas condições em que estivemos no fim da primeira volta, neste clube, com este treinador, dirigentes e jogadores, transformar menos sete em mais oito. Não era possível com outro treinador e nem outro clube. Espero vê-lo mais anos no clube, pois não espero morrer tão cedo".

Sem levantar o véu sobre o futuro, o técnico lembrou que entrou no clube aos 16 anos e Pinto da Costa retorquiu que já estava no clube à espera dele. "Vamos estar sempre juntos e o presidente é que sabe quando será a altura de sair", finalizou o treinador.

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