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Stéphanie Frappart e as outras mulheres que fazem história no desporto

Stéphanie Frappart e as outras mulheres que fazem história no desporto

Francesa tornou-se, na quarta-feira, a primeira mulher a apitar um jogo da Liga dos Campeões. Prestação da árbitra tem gerado várias reações nas redes sociais. Mas há outras mulheres em destaque com cargos relevantes no futebol. Saiba quem são.

Tem 36 anos, é francesa, e na passada quarta-feira fez história ao tornar-se na primeira mulher a apitar um jogo da Liga dos Campeões. Em Turim, no duelo que colocou frente a frente a Juventus e o Dínamo de Kiev, Stéphanie Frappart liderou uma equipa composta pelos franceses Hicham Zakrani, Mehdi Rahmouni (árbitros auxiliares), Karim Abed (quarto árbitro), e Benoît Millot e Willy Delajod no vídeo árbitro (VAR), em mais um sinal de mudança, num espaço predominantemente masculino, onde as mulheres vêm progressivamente, mas de forma lenta, a conquistar o seu espaço.

Ainda no cenário europeu, Frappart também foi a primeira mulher a liderar um encontro oficial internacional masculino (Malta contra Letónia, a 6 de setembro na Liga das Nações), e arbitrou os dois primeiros encontros da Liga Europa a 22 de outubro (Leicester-Zorya), e 26 de novembro (Granada-Omonia Nicosia). Antes, aquela que ficou conhecida como a primeira mulher a apitar na 2.ª Divisão francesa (2014) e, depois, na Ligue 1 (2019), onde se estreou num embate entre o Lyon e o Marselha, também já tinha sido responsável pela arbitragem da Supertaça europeia, entre Liverpool e Chelsea (agosto de 2019),

No palco da liga milionária, foram 20 faltas e três cartões amarelos, numa arbitragem de grande qualidade da baixinha de 1,64 metros, que não teve de se meter em bicos de pés para se fazer ouvir. Uma prestação que entrou para a história, e que nos últimos dias tem agitado as redes sociais, com o reconhecimento a surgir de vários lados. "Máximo respeito por ter alcançado o mais elevado nível do futebol masculino. Parabéns, Stephanie Frappart. Uma grande inspiração e esperança de algo que possamos ver mais vezes no futuro", escreveu Pernille Harder, eleita a melhor jogadora da temporada 2019/20.

Elogios que se desdobraram desde a própria UEFA, passando pelo capitão da Juventus, Leonardo Bonucci e o médio do Mancheste City, Gündoğan.

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Mudar a tendência rumo à igualdade

Ainda existem barreiras, essencialmente no cenário internacional, que necessitam de ser ultrapassadas, mas a realidade é que o número de mulheres que tem ganho influência no mundo desportivo está a aumentar. De atletas, a diretoras de grandes organizações, passando por treinadoras e dirigentes de clubes.

Neste sentido, o maior de todos os exemplos talvez seja o de Fatma Samoura, a primeira mulher a desempenhar o cargo de secretária-geral da FIFA. Desde 2016 que a senegalesa detém o segundo cargo de maior poder na entidade que rege o futebol mundial, ultrapassada apenas pelo presidente, Gianni Infantino. Mas não é caso único. Lydia Nsekera foi membro do Comité Olímpico Internacional e também a primeira mulher a sentar-se na cadeira do Conselho da FIFA, em 2013. Além disso, ainda gere o movimento de criação de regras para combater a desigualdade quer nos cargos de topo, quer nos salários.

Já no que toca a gestão de clubes há um nome incontornável: Marina Granovskaia. Aos 45 anos, a dirigente do Chelsea tem-se destacado por ajudar o russo Roman Abramovich, dono dos "blues", a garantir novas "joias" para o plantel. Mas o talento não se esgota no futebol. Claire Williams, por exemplo, segue as pisadas do pai, Frank Williams, e ocupa o cargo de diretora da marca "Williams Racing" na Fórmula 1.

Múltiplos exemplos de mulheres que "jogam ao ataque", lado a lado com os homens, em cargos que a tendência é oposta ao sexo feminino. Tudo em prol das convicções e de uma igualdade que, finalmente, parece começar a tornar-se verdadeiramente real.

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