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Super Dragões de Amarante levam cabazes a quem precisa

Super Dragões de Amarante levam cabazes a quem precisa

Um grupo de portistas ligados à claque dos Super Dragões e à Casa do F. C. Porto em Amarante está, "praticamente" desde o início da pandemia do novo coronavírus, a recolher alimentos junto de amigos e conhecidos para depois os levar a quem mais necessita. Garantem que "não há favoritismo" clubístico, nem veto da ajuda a quem tem outras preferências clubísticas.

"O que está em causa é a necessidade do ser humano, que ficou sem emprego por causa da pandemia", diz, sob palavra de honra, Nuno Pinto, líder dos Super Dragões (SD) de Amarante e presidente da Casa do F. C. Porto local.

O portista, pai de um menino e funcionário no parque Aquático RTA, garante que há muita gente em Amarante a viver mal por ter ficado sem emprego ou com o salário reduzido por causa da pandemia. A crise não tem cor clubística.

"Ao chegarmos a casa de uma beneficiária, em Candemil [na serra do Marão], para lhe entregar a ajuda, a senhora recebeu-nos vestida com fato de treino do Benfica. Estive para lhe pedir se podia tirar uma foto e postar no Facebook, mas podia ser mal interpretado e não o fiz", recorda.

A maioria dos destinatários das ajudas recolhidas pelos SD Amarante, refere Nuno Pinto, são indicados pelo serviço de apoio social da Câmara de Amarante. "Fazemos tudo o resto. Pedimos ajuda alimentar e, depois em função das indicações da Câmara, vamos nos nossos carros por todo o concelho [um dos maiores do distrito com 301,33 km² de área], distribuir as ajudas", explica.

A recolha da ajuda alimentar começou por indicação do líder da claque do Porto, Fernando Madureira. "Íamos entregar os produtos ao Porto, mas depois comecei a notar que em Amarante havia também quem necessitasse. Falei com o Fernando e passamos a recolher alimentos para os nossos vizinhos", revela.

Uma tonelada de ajuda

A ajuda alimentar começou com duas ou três pessoas por semana e agora são à volta de 50 dadores que já terão doado aos SD Amarante cerca de uma tonelada de produtos alimentares. De tudo, um pouco: arroz, massa, batatas, enlatados, bolachas, frescos, fruta, etc. Os produtos são armazenados na garagem de Nuno Pinto, onde os cabazes são feitos com o que existe. "Tivemos o caso de uma família que pediu produtos frescos. Fomos a um amigo que tem um negócio no ramo e ofereceu-nos o necessário para fazer o cabaz. Pediu apenas que não fosse identificado", revela.

Segundo o boletim epidemiológico divulgado ontem pela Direção-Geral da Saúde, o concelho de Amarante regista 90 casos de infetados pela covid-19. À entrada para a última quinzena de abril, o número de infetados ultrapassou a barreira dos 50 casos.

Em dez dias, de 16 a 26 de abril, a infeção foi diagnosticada em 31 indivíduos, a curva está, neste momento, mais estável. Neste mês de maio houve registo de oito novos casos de covid-19.

Transporte flexível - Regime de "transporte a pedido", solicitado por telefone para o operador, até às 16 horas do dia (útil) anterior. O transporte realiza-se nas linhas da rede municipal e paragens habituais, sem custos para o utilizador.

Hospital de retaguarda - Existem 44 camas para receber doentes com covid-19 dos lares, de forma a prevenir o contágio. Autarquia e Santa Casa uniram-se para apoiar as 11 instituições concelhias que cuidam de 850 utentes, 500 dos quais com mobilidade reduzida.

Apoio ao idoso - Programa gratuito que contempla um serviço de apoio técnico de teleassistência domiciliária em regime permanente.

Fundo de emergência - Garante apoio económico aos agregados familiares em situações mais desfavoráveis.

Apoio psicológico - Equipa com formação em intervenção em crise assegura o apoio psicológico, assim como a resposta a vítimas de violência doméstica.

Mercado municipal - Às quartas e sábados, entre as 8.30 e as 12.30 horas, o mercado reabre num formato destinado somente aos produtos alimentares, visando apoiar agricultores e comerciantes do concelho.

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