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"TAD não devia existir", diz Pedro Proença

"TAD não devia existir", diz Pedro Proença

Presidente da Liga quer que o Governo crie um tribunal dedicado ao desporto que possa resolver questões de castigos de forma célere. Organismo vai atribuir prémio à equipa que "queime" menos tempo nos jogos.

O presidente da Liga, Pedro Proença, defendeu esta quarta-feira a criação de um tribunal para o desporto, que viria a substituir o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD), à margem de um evento de apresentação do campeonato.

"Há um problema de base da arquitetura legislativa desportiva. Consideramos que a figura do TAD não deveria existir. O poder político deveria centrar-se na criação de um tribunal desportivo que tratasse destes temas de forma eficaz, com processos céleres e capazes e que respondesse de forma efetiva. Enquanto a tutela não tomar esta decisão, percebendo que depois de um castigo do CD, há um recurso para o TAD e depois para o central, andamos de câmara em câmara sem decisão final. Não é culpa do futebol nem da Liga, é da arquitetura que foi construída. Enquanto não existir um tribunal de desporto que não permita recurso, vai continuar assim", referiu o líder do organismo que tutela o futebol profissional.

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Outro dos tópicos em discussão foi o tempo útil de jogo. Pedro Proença mostrou preocupação com o fraco desempenho do campeonato nesse tópico, estando na cauda da Europa, e, além da sensibilização a jogadores, treinadores e clubes, a Liga revelou que entregará um prémio à equipa que menos tempo "queime" no desenrolar dos encontros. "Iremos dar notoriedade àquelas equipas que de alguma forma tentem aumentar o tempo útil de jogo. Iremos criar um prémio de mérito a quem o fizer", declarou

Também a questão da justiça foi abordada e um dos pontos em desenvolvimento é a profissionalização da Comissão de Instrutores: "A Liga não está confortável com o que é a morosidade das decisões que são tomadas no âmbito desportivo. Esse papel não cabe à comissão de instrutores. O que queremos é dar mais condições a essa comissão, para que possa desenvolver o seu trabalho de forma dedicada e de forma exclusiva, tornando-nos profissionais de um assunto que, para nós, é fundamental".

O regresso dos públicos aos estádios é outra das apostas da Liga, que tem planeada uma proposta para a redução do custo dos bilhetes para a temporada 2023/24, que passa por reduzir para metade o teto máximo. Num estádio de categoria 1, o nível mais alto, o limite cifra-se nos 75 euros acrescidos de IVA. A Liga propõe um corte para metade, ou seja, 37,5 euros mais IVA como valor máximo.

A centralização dos direitos televisivos, que terá de ser apresentada ao Governo até 2025 e que terá de ser aplicada até à temporada 2027/28 foi também motivo de discussão neste evento. A Liga considera a questão fulcral e, questionado sobre se existe a possibilidade de a centralização ser aplicada mais cedo que o previsto, Pedro Proença afirma que "eventualmente" será possível, mas que depende dos clubes.

Questionado sobre a possibilidade de se realizarem jogos na Liga em horários da manhã, o líder da Liga falou sobre as dificuldades em conciliar o interesse dos adeptos, dos clubes mas também da operadora que paga pelos direitos televisivos.

O aumento da segurança nos estádios, a calendarização e a reestruturação dos quadros competitivos para se ajustarem às alterações da UEFA em 2024, a reestruturação disciplinar, com o apertar das sanções a clubes, e as questões fiscais ao nível do futebol foram também motivo de conversa neste evento entre a Liga e jornalistas, que se repetirá a meio e no término desta temporada.

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