Crónica

Toca a rufar

"Se o míster quiser, posso tocar bombo", disse José Fonte. Não, Zé, deixa estar! Se já tem sido difícil defender, nem imagino a tocar ao mesmo tempo. Esta metáfora é da lavra de Fernando Santos, que disse que é preciso tocar bombo e violino. O pior é que o único instrumento que a seleção sabe tocar é flauta, e mal. Só tocamos o hino da alegria, como os miúdos do 5.o ano, e a medo, não vá a alegria acabar. Os carregadores de piano estão sem força, o que nos tem valido é Ronaldo, o contrabaixo. Chamo-lhe assim por ser o pior pesadelo do baixote Messi. Confesso que não percebo a embirração dos portugueses com o argentino. Vibram mais com um penálti falhado por ele do que com um golo nosso. Acho que perseguir um atleta, criticar, achincalhar é... perfeitamente justificável, se estivermos a falar de Neymar. Esse sim, põe-se a jeito para ser gozado, como quem se faz à falta. Ontem, lá marcou, perto dos 97m (parecia o Sporting-Tondela) e chorou no fim. Porque terá sido? a) Porque aquilo no cabelo foi acidente; b) Porque o seu teatro não deu penálti e assim já não vai entrar numa novela da Globo; c) Porque percebeu que, mesmo com Messi nas lonas, nunca passará do terceiro lugar, no pódio dos melhores. Neymar tem pose de maestro mas, aqui para nós, é mais bombo da festa.

COMEDIANTE