Futebol

Treinador do Vitória de Sernache acusa presidente de racismo

Treinador do Vitória de Sernache acusa presidente de racismo

Ricardo Nascimento abandonou o Vitória de Sernache, apontando o dedo às atitudes do presidente do clube.

Os casos de racismo em Portugal continuam a acontecer, mas desta vez a história ganha contornos inusitados. Ricardo Nascimento foi o treinador do Vitória de Sernache durante pouco mais de um ano, mas resolveu abandonar esta semana o clube do Campeonato de Portugal, alegando comportamentos racistas do presidente António Joaquim.

O técnico explicou, ao JN, que o dirigente proferia frequentemente comentários racistas e xenófobos aos jogadores e também punha em causa a nacionalidade do treinador adjunto da equipa, o brasileiro Marcello Grossi. Segundo Ricardo Nascimento, António Joaquim referia-se aos futebolistas de origem africana em tom pejorativo: "Por muitos banhos que tomassem nunca iriam ser brancos, mas sempre pretos".

"Todos os dias tinha jogadores que se sentiam mal com aqueles comentários. Eles falavam connosco sobre isso praticamente todos os dias", referiu, ao JN, Ricardo Nascimento. O técnico acrescentou ainda que estes comentários eram regulares e que o presidente "fazia questão de falar em voz alta para toda a gente ouvir".
"Em pleno século XXI, estes comentários não podem ser permitidos e eu não podia continuar ali", afirmou o técnico que deixa o Vitória Sernache na oitava posição da Série D do Campeonato de Portugal com um empate, uma derrota e sem qualquer vitória. Ricardo Nascimento considera que "estas palavras são inadmissíveis" e vão contra os princípios morais com que rege a sua vida. Daí ter batido com a porta. No domingo já será outro treinador a orientar a equipa frente ao Rio Ave, em jogo a contar para a segunda eliminatória da Taça de Portugal.

Contactado pelo JN, António Joaquim, presidente do Vitória Sernache, apenas se limitou a fazer uma declaração: "O caso está entregue a quem de direito".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG