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Varandas: "Hoje Bruno Fernandes seria vendido por 20 ou 30 milhões"

Varandas: "Hoje Bruno Fernandes seria vendido por 20 ou 30 milhões"

Frederico Varandas, presidente do Sporting, defendeu, esta quinta-feira, que o futebol português é o mais afetado da Europa com a pandemia da covid-19 e que Bruno Fernandes, se calhar, não seria vendido por mais de 20 ou 30 milhões de euros.

"A crise provocada pela covid-19 prejudica a indústria do futebol europeu em geral, mas, entre todos os países, Portugal é o mais afetado, porque cinquenta por cento das receitas advém da venda de jogadores. O Bruno Fernandes, por exemplo? O passe foi vendido por 65 milhões de euros em janeiro, hoje, valeria o quê? Se calhar, 20 milhões? 30 milhões? Ninguém sabe", disse Frederico Varandas, em entrevista à SIC.

O líder leonino prevê graves consequências financeiras causadas pelo impacto da pandemia: "O grande problema, e falo dos três grandes, vai ser o mercado de transferências. O mercado português é exportador e não tenho dúvidas de que vai demorar uns bons anos para os clubes grandes voltarem a ter a capacidade financeira que tinham antes da covid-19".

"Se calhar vamos ter de vender só um quarto da capacidade do estádio e isso significa um quarto da receita de bilheteira, patrocinadores, parceiros. Vai ser uma nova realidade e um problema gravíssimo. Neste momento há um instinto de sobrevivência e os grandes, se não remarem para o mesmo lado e defenderem a indústria do futebol numa altura destas, não estarão cá muito tempo", alertou.

O não cumprimento por parte do Sporting dos valores da contratação do treinador Rúben Amorim ao Sp. Braga também foi tema abordado por Frederico Varandas, que considerou ter sido um exagero o empolamento do caso por o clube ter falhado um pagamento numa determinada data.

"Foi uma novela. O Sporting é um clube de bem, que vai cumprir, que vai pagar. Tal como o Braga, o Sporting tem seis clubes que não conseguem pagar os seus compromissos para connosco. Sabemos as dificuldades que os clubes estão a enfrentar e não vamos para a praça pública acusá-los por isso", referiu o presidente leonino.

Projetando o futuro pós-pandemia, Frederico Varandas lembrou a redução de custos que a atual SAD do Sporting promoveu no plantel principal e o investimento que fez na área da formação, o que, segundo ele, permitiu ao clube estar "melhor preparado" para esta pandemia.

Para Frederico Varandas, o Sporting vai ter de viver do setor da formação, no qual esta Direção investiu forte nos últimos dois anos, e cujos frutos já se vão colhendo de que são exemplo os seis jovens com 17 e 18 anos que vão integrar já este ano o plantel principal do clube.

Em relação ao encontro dos presidentes dos três grandes com o primeiro-ministro António Costa, o líder leonino acredita que o facto de exercer a profissão de médico ajudou nas negociações e deu confiança ao Governo.

"Deu-se a feliz coincidência de eu ser médico e estar no terreno. Penso que isso deu confiança ao Governo, pois, sendo médico, tenho uma visão mais técnica e científica acerca da covid-19 do que Pinto da Costa ou Luís Filipe Vieira", disse Frederico Varandas, que se mostrou muito crítico em relação aos que defendem que o futebol só deve ser retomado em setembro.

Varandas questiona qual a empresa em Portugal retomar a atividade com tão pouco risco para os trabalhadores como acontece com os jogadores de futebol, que são sujeitos a mais testes do que os próprios médicos e enfermeiros.

"Futebol só em setembro? Ainda compreendo que um político diga isso, agora um médico? Porquê em setembro? Se em junho não há condições, então em setembro, outubro e novembro estará muito pior", alegou o presidente do Sporting, para quem os portugueses vão ter de conviver com o vírus, porque este vai continuar a existir e é preciso que se adquira uma imunidade comunitária.

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