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Vieira: "Não contratei Jorge Jesus para ganhar as eleições"

Vieira: "Não contratei Jorge Jesus para ganhar as eleições"

O presidente do Benfica garantiu, este domingo, que a contratação de Jorge Jesus nada teve a ver com as eleições e explicou a razão de ter tirado o nome de António Costa da comissão de honra.

Jorge Jesus regressou ao Benfica em agosto para substituir Bruno Lage no comando técnico, depois de uma época em que as águias venceram apenas a Supertaça. Uma contratação que levou a um grande investimento por parte do clube encarnado, a poucos meses das eleições, mas Luís Filipe Vieira garante que o regresso de Jesus não foi a pensar no sufrágio de 30 de outubro.

"Não contratei Jorge Jesus para ganhar as eleições, até porque ele era controverso no mundo benfiquista. Há um ano, ninguém pensava numa pandemia e também fiz determinadas afirmações... Quando entendi que devia contratar o Jorge Jesus foi numa conversa que tivemos em casa dele, em março, e ficou apalavrado que se houvesse mudanças, ele seria o próximo treinador. Na altura, estava o Bruno Lage como treinador", começou por explicar o presidente do Benfica em entrevista à RTP3, sublinhando que, apesar do elevado investimento em reforços, a aposta na formação continua a ser prioritária.

"Basta ver que hoje [duelo frente ao Rio Ave, em Vila do Conde] entrou o Nuno Tavares. O Benfica precisava de se reforçar e reforçou-se, entendemos rodar alguns jovens e de certeza que alguns vão voltar. O Seixal faz parte da estratégia do Benfica".

Numa análise sobre os últimos anos na liderança dos encarnados, Luís Filipe Vieira recordou o primeiro mandato e considerou que, hoje, o clube "é invejado".

"Eu não melhorei muito o clube. O Benfica foi refundado, que é muito diferente. Era muito complicado estar no Benfica naquela altura. Há uns que fugiram e outros ficaram ressabiados. Hoje, existe um Benfica invejado e o clube está muito apetitoso. Julgava que a feira de vaidades já tinha desaparecido do Benfica. Este projeto tem de ter continuidade. Investimento? Os benfiquistas não devem estar preocupados. O primeiro título que o Benfica adquiriu foi o da credibilidade. No tempo e incerteza que vivemos hoje, qualquer empresa vai enfrentar dificuldades. Há jogadores que foram comprados a cinco anos sem juros. Quando se tem credibilidade, conseguem-se fazer estas coisas diabólicas".

Os nomes do primeiro-ministro bem como o de Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, chegaram a fazer parte da comissão de honra de Luís Filipe Vieira mas, depois de algumas críticas, acabaram por sair. Questionado sobre o tema, o presidente do Benfica garantiu não entender a polémica, uma vez que ambos estavam a apoiar como "sócios e cidadãos", tal como tinha acontecido em mandatos anteriores.

"Tenho sido sempre um homem coerente. O António foi meu apoiante em 2012, 2016 e já como primeiro-ministro, mas como sócio e cidadão, tal como foi agora. O que é que se passou para criticar o cidadão que já me tinha apoiado em mandatos anteriores? O António Costa não podia estar a sofrer nada comigo, então tirei-os todos de lá. Porque é que o cidadão António Costa foi tão perturbante agora e antes não foi? Quando numa delas já era primeiro-ministro? O presidente de Lisboa a mesma coisa. A minha campanha vai ser limpa, não vou atacar ninguém. A minha já foi atacada por todo o lado. É o meu último mandato e não saio sem ganhar um título europeu".

Sobre os processos em que está envolvido, Vieira garantiu que "não deu nada" a Rui Rangel.

"A justiça funciona neste país. Nunca vou ser julgado por jornais nem televisões. Se não fosse presidente do Benfica não estava metido naquilo. Há escutas e gravações em que eu digo 'Rui se quiseres eu vou contigo ao tribunal'. Não era eu que devia ao Estado, era o Estado a mim. O que se devia dizer é como é que o Estado português demora tanto a pagar. O que é que eu tinha de pedir ao Rui Rangel? Ajuda-me aqui ou ali em quê? O que fiz qualquer um fazia. Emails? Já deviam ter apresentado alguma coisa. Nos últimos anos o Benfica não tinha os melhores plantéis em Portugal? Ganhámos quatro campeonatos seguidos. Acham que era preciso andar a pedir favores árbitros?", concluiu.

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