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Vítor Baía: "O nosso estado de espírito é de revolta"

Vítor Baía: "O nosso estado de espírito é de revolta"

O antigo guarda-redes Vítor Baía, atual vice-presidente e administrador da SAD do F. C. Porto, mostrou-se esta sexta-feira revoltado pela dualidade de critérios das arbitragens ao longo da temporada, numa entrevista à F. C. Porto TV.

"O nosso estado de espírito é de revolta por aquilo a que temos vindo a assistir quanto à dualidade de critérios nos aspetos disciplinares e ao comportamento dos árbitros ao longo desta temporada, onde nós nos sentimos verdadeiramente prejudicados. Como é lógico temos os jogadores descontentes e revoltados com tudo aquilo a que se tem assistido. Ontem isso voltou a acontecer", começou por dizer Vítor Baía, considerando que "falta, aos árbitros, um conhecimento de jogo completamente diferente".

E prosseguiu: "Têm de olhar para o jogo de uma forma completamente diferente quanto à aplicação pura e simples da lei. Têm que sentir, que ver e que analisar os lances de uma forma bem diferenciada. Isso tem a ver com a evolução, e aí o Conselho de Arbitragem terá uma palavra a dizer no crescimento destes árbitros".

Vítor Baía enumerou várias situações: "O que tem acontecido, e com o que não nos podemos calar, é com a dualidade de critérios, com o sentirmo-nos constantemente prejudicados durante este campeonato com a questão disciplinar. Temos o Taremi, que agora para lhe marcarem um penálti já custa bastante, e já o querem denominar como piscineiro, que é uma coisa que nós abominamos. Temos o Marega que por ser forte fisicamente as faltas não contam. Temos o Corona que é autenticamente alvo de caça ao homem. Se vocês vissem como é que está a parte física do Corona quando acaba os jogos, vocês ficavam loucos com aquilo a que nós assistimos no balneário".

"Isto é um conjunto de situações em que não podemos, de maneira alguma, fechar os olhos. Temos acima de tudo que alertar que há confiança nos árbitros, mas eles têm de fazer bem o seu trabalho. Porque os nossos jogadores e o nosso treinador trabalham com grande afinco, grande dignidade, e querem que uma classe que queremos que seja cada vez melhor não tenha influência naquilo que é a definição deste campeonato", acrescentou o vice-presidente dos dragões.

O antigo jogador abordou o lance de Nanu com o guarda-redes Kritcuik, do Belenenses SAD, mostrando-se feliz por o defesa estar bem. "Antes de mais estou feliz por o Nanu estar bem. Já está entre nós, isso é que era o mais importante. Nesse lance, e já ouvi alguns comentários, acho incrível como é que se pode denominar este lance como um choque de cabeças. Eu fui guarda-redes, expliquem-me lá qual foi o guarda-redes que vocês viram na vossa a vida a sair a um cruzamento de cabeça? Não há nenhum! A nossa proteção, enquanto guarda-redes, são os braços, os cotovelos, as mãos. E o que é nós fazemos? Colocamos à frente aquilo que nos protege. Tanto é que o Nanu foi para o hospital e o Kritciuk ficou em campo. Se eu num choque violento tenho os braços à frente da minha cabeça, naturalmente que isso amortece e provoca o choque. Agora, os cotovelos estão lá, os punhos estão lá, e foi aí que se deu a lesão do Nanu", analisou.

Por isso, Vítor Baía não "tem dúvidas absolutamente nenhumas de que era penálti". "Volto a referir: falta, à arbitragem, cultura do jogo. Saber compreender e interpretar o jogo, estar lá como se fosse um praticante. Enquanto isso não acontecer vai ser muito difícil. Há muita dualidade, se eu fosse agora referir os penáltis que já foram marcados este ano por contactos entre guarda-redes e avançados, então aí ficavam todos corados de vergonha por não ter sido marcado penálti no jogo de ontem [quinta-feira]", completou.

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