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Wendel ajuda adversário em vez de tentar golo que podia dar a permanência

Wendel ajuda adversário em vez de tentar golo que podia dar a permanência

O futebolista Wendel do Sporting da Covilhã perdeu a oportunidade de ficar isolado e de desfazer o empate com o Estoril Praia, atirando a bola para fora ao ver Valente perder o esférico na sequência de uma lesão.

Com a permanência dos serranos ainda por assegurar, e com uma igualdade no marcador frente ao já campeão Estoril Praia, o central Marcos Valente lesionou-se sozinho numa receção no seu meio-campo e ainda tentou chegar à bola, que sobrou para Wendel, mas caiu no relvado.

Estavam jogados 28 minutos e o brasileiro podia ter progredido em direção à baliza "canarinha" e tentado bater o guardião Macedo, mas optou por atirar a bola para fora do terreno de jogo, num gesto de desportivismo, para que o adversário fosse de imediato assistido.

Já sem Marcos Valente em campo, que sairia a coxear e a queixar-se de dores no joelho, os "leões da serra" acabariam por voltar a estar em desvantagem e conseguiram operar a reviravolta no marcador (3-2), que garantiria a permanência, pelo 14.º ano consecutivo, no segundo escalão do futebol nacional, sem terem de se aproveitar do infortúnio de Marcos Valente.

"O Sporting da Covilhã, mesmo com este gesto, acaba por ganhar o jogo e demonstra que não é por não se tirar proveito de uma infelicidade que se ganha ou se perde um jogo", disse no final do encontro Bruno Pinheiro, o treinador do Estoril Praia.

Para o técnico "canarinho", que enalteceu a guarda de honra feita à sua equipa no início da partida, comportamentos como o de Wendel "devem ser incentivados" pelos treinadores.

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"Todos nós queremos ganhar, mas as vitórias não devem ser a qualquer custo", realçou o "timoneiro" do campeão da II Liga de futebol.

Apesar do nervosismo evidenciado no banco, onde raramente se sentou, José Bizarro, treinador serrano, afirmou ter assistido "com muito agrado" à decisão de Wendel da Silva Costa, o carioca de 20 anos, cedido pelo Leixões ao Covilhã, e manifestou a intenção de lhe dar "os parabéns, porque ele foi um grande homem".

"Nós vemos nos jornais e na televisão muitas desgraças e o mal do futebol, mas o futebol também tem coisas muito bonitas. Hoje, o Wendel provou isso. A gente estava a jogar a vida e, num lance de que podíamos ter tirado partido, deitou a bola fora", elogiou o técnico dos "leões da serra".

O jogador, formado no Flamengo, acentua não ter vivido qualquer dilema, perante a possibilidade de um colega, com quem nunca tinha falado até minutos antes da partida, estar magoado.

"Era uma grande oportunidade para marcar, mas há coisas mais importantes na vida. Nós somos adversários, não inimigos, e senti que podia ser sério, que um companheiro de trabalho se machucou [magoou]. O mais importante foi jogar a bola para fora e ver se ele estava bem", contou o ponta-de-lança brasileiro, em declarações à agência Lusa.

O golo podia valer a manutenção na II Liga, mas o pensamento mais imediato de Wendel Silva foi "parar na hora" e fazer o que achou correto. No final, sentiu a vitória amplificada, por ter sido conseguida sem atropelos ao desportivismo.

"O resultado viria conforme a gente jogasse, e não [estava] dependente de uma falha de um companheiro que se machucou. Fico muito feliz pelo resultado e por não ter sido conseguido num lance de adversidade de um colega", acrescentou, à Lusa, em palavras abafadas pela máscara, o avançado, de sorriso hesitante, pose tímida e a certeza de que é infinitamente mais o que se ganha do que o que se perde quando se respeita o adversário.

Wendel não se demora em análises sobre o porquê de estes gestos não serem mais frequentes no futebol profissional, preferindo destacar que vários jogadores se abeiraram para lhe darem um sinal de que fez "o que está certo" e mostra-se convicto de que mesmo quando muito está em jogo e as emoções são fortes, é sempre digno tratar com elevação quem está ao nosso lado, tenha ou não uma camisola da mesma cor.

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