Imobiliário

Preço das casas no Porto aumentou 16,6% no fim de 2020

Preço das casas no Porto aumentou 16,6% no fim de 2020

Valor por metro quadrado no país atingiu os 1188 euros, um aumento de 7,8%. APEMIP alerta que as classes média e média baixa não têm capacidade para suportar estes custos.

O preço de venda das casas no Porto está a registar uma tendência de forte valorização. O metro quadrado atingiu os 2142 euros no último trimestre de 2020, um aumento de 16,6%, considerando os últimos 12 meses terminados em dezembro. Todas as sete freguesias que constituem o concelho registaram incrementos de valor, revelam os dados das Estatísticas de Preços da Habitação ao nível local do Instituto Nacional de Estatística.

O Centro Histórico do Porto (União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória) viu o preço por metro quadrado disparar 22,8%, para 2503 euros. Na zona mais cara da cidade - freguesia de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde - aumentou 15,9%, e em Lordelo do Ouro e Massarelos apresentou uma subida de 19%.

Mesmo as freguesias cujo preço do metro quadrado está abaixo da média da cidade não perderam o comboio: Paranhos verificou um aumento de 20,6%, Campanhã, a zona mais barata do município, valorizou 17,8%, Ramalde cresceu 7,1% e o Bonfim respondeu por um aumento de 7,1%.

Este incremento exponencial do preço dos alojamentos familiares no Porto é encarado com cautela e preocupação pelo presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP). "É um aumento que me preocupa, uma vez que o que tenho vindo a defender é precisamente a aposta na habitação acessível para os jovens e a classe média", que sofrem as consequências da falta de uma política habitacional no país, disse Luís Lima ao JN/Dinheiro Vivo.

Sem dinheiro

A nível nacional, o preço de venda das casas atingiu os 1188 euros por metro quadrado, um crescimento de 7,8% face ao homólogo de 2019, contornando os efeitos negativos da pandemia na economia. Luís Lima lembra que "as classes média e média baixa não têm poder de compra para suportar tais aumentos nos imóveis, nem tão-pouco para fazer face aos preços do arrendamento que se praticam". Isto quando ontem o INE revelou que todas as cidades com mais de 100 mil habitantes apresentaram aumentos dos preços da habitação em termos homólogos, considerando os últimos 12 meses terminados no final de 2020.

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Luís Lima alerta ainda para a "enorme incerteza" da evolução pandémica e, nesse sentido, "o mercado imobiliário deve continuar cada vez mais atento e não se deixar entusiasmar pela resiliência demonstrada até agora".

Em sentido inverso ao Porto, os preços das casas em Lisboa já começaram a desacelerar mas, ainda assim, a capital fechou o ano de 2020 a registar um incremento de 4%, para 3377 euros. No entanto, houve nove freguesias que apresentaram quebras. Santa Clara foi a que verificou um decréscimo mais substantivo (10,7%), seguida da Ajuda (6,4%), das Avenidas Novas (6,3%) e de Alcântara (5,2%). Na lista "negativa", constam ainda Parque das Nações (3,9%), Campo de Ourique (3,8%), Marvila (2,2%), Misericórdia (1,2%) e Benfica (0,6%).

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