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Portugal Mobi Summit

"72% acreditam que as alterações climáticas são uma emergência"

"72% acreditam que as alterações climáticas são uma emergência"

Irena Pichola, Global Government & Public Services Climate Action and Sustainability Lead da Deloitte, esteve no palco principal neste segundo dia do Portugal Mobi Summit para falar sobre "Sustentabilidade conectada com Mobilidade".

Irena Pichola diz trabalhar há mais de 20 anos no âmbito da sustentabilidade e garante que, neste momento, já não existe qualquer dúvida em relação às alterações climáticas serem um facto. "Existe muita evidência científica nesse sentido, existe também uma maior compreensão pública, e isso tem aumentado de forma dramática, portanto existe uma intensificação de que as alterações climáticas são muito rápidas e estão muito espalhadas, isso está detalhado no relatório IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change)".

Um acordar para a realidade que, para esta especialista, permite que hoje "todos nós estamos muito mais conscientes, os decisores também estão muito mais conscientes, e estão a estabelecer e a formular novos regulamentos que têm certamente impacto sobre todos nós". E reforça a ideia que de "as empresas compreendem que este é um tema sensível e tem de ser considerado de forma séria".

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Mas de que forma os consumidores reagem a tudo isto? "Este é um estudo que fizemos a nível global, um questionário de sustentabilidade que foi feito em 23 países a 23 mil pessoas, e vemos uma grande transição para um campo dos crentes - 72% acreditam que as alterações climáticas são uma emergência e que é necessário agir", enumera Irena Pichola, adiantando ainda que apenas 12% não acreditam e que existem 16% de pessoas indecisas.

Neste campo, existem riscos, mas também existem oportunidades. Em termos de riscos, no que diz respeito aos temas da sustentabilidade, tem de haver uma maior sensibilização dos líderes globais económicos "para a urgência das ações que devem ser tomadas". E que devem ser tidos em conta alguns aspetos, como os temas relacionados com a pandemia - "ainda temos algum receio da forma como nos devemos adaptar àquilo que aconteceu", mas também da guerra que estamos a viver - "mais a longo prazo sabemos que existem riscos ambientais, que são dos mais importantes e dos mais assustadores que enfrentamos".

"Estes riscos podem ser efetivamente calculados - 178 biliões em termos de perdas económicas globais que têm a ver com saúde, agricultura, aumento dos níveis do mar, aquecimento global", acrescenta Pichola.

Do outro lado da moeda existem as oportunidades."Estamos a criar soluções em termos de descarbonização, o transporte é muito importante e um grande desafio para os setores privados e públicos, portanto, devemos gerir estes aspectos e investir nas infraestruturas, investir em soluções inteligentes..."

Neste capítulo do investimento, que será muito forte segundo Irena Pichola, as instituições bancárias terão um papel importante. "Existe um apetite por parte destas instituições bancárias para investirem em bons projetos, projetos que protegem o nosso futuro e que estão a responder aos desafios e ameaças ambientais. Para este dinheiro ser acessível deve ser também disponibilizado pelo setor público. Estamos a falar também de fundos das Nações Unidas, etc., isto dará um grande impulso".

Esta responsável da Deloitte diz ainda que no setor privado existe uma necessidade de perceberem onde é que investem dinheiro, e que estes investimentos têm de estar certamente ligados à transição verde. "Não é fácil da perspectiva das empresas, porque as empresas não sabem fazer isso, não tem essa especialização, portanto, é muito importante avançar, fazer uma aprendizagem rápida sobre como é que é possível adaptarmo-nos a estas mudanças e a estas exigências das novas políticas e das novas regras. É importante que o façamos bem e que, ao mesmo tempo, impulsionemos a inovação e a exploração de oportunidades nas empresas", concluiu.

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