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Mobi Summit

"A Uber fortalece os transportes públicos ao alargar o seu alcance"

"A Uber fortalece os transportes públicos ao alargar o seu alcance"

Uma década depois do lançamento, a Uber é indiscutivelmente a aplicação de boleias mais conhecida e usada do mercado.

Apesar dos solavancos no modelo de negócio, que viu muitos desafios impostos por reguladores e uma batalha legal com certos setores, como o dos taxistas, o negócio inspirou várias outras empresas e operou uma mudança de mentalidade nas gerações mais novas. Para quê comprar um carro, se pode mandar chamar um condutor em segundos através do smartphone? A diretora-geral da Uber para a Europa do Sul, Giovanna D'Esposito explica ao que vem.

Agora, a Uber tem uma estratégia mais alargada que inclui outras formas de mobilidade e outros serviços associados, como a entrega de comida (Uber Eats). E na visão da empresa norte-americana consta ainda a ideia de transportar pessoas pelos ares, uma ambição espelhada na unidade Uber Elevate, que está a desenvolver táxis voadores que se assemelham a drones de grandes dimensões e voarão a baixa altitude. Os carros autónomos são outro dos grandes projetos de futuro da empresa, que hoje depende de condutores independentes com os seus próprios veículos. Sendo Lisboa uma das capitais europeias mais em voga e com desafios de movimentação e transportes em crescendo, a Uber tem aumentado o seu investimento na cidade e vem lançando serviços novos e testes com regularidade. Giovanna D"Esposito, diretora-geral da Uber no Sul da Europa, vai explicar a visão da empresa numa das keynotes mais antecipadas do Portugal Mobi Summit. A responsável, que acredita no papel da Uber a caminho de uma mobilidade urbana mais fácil e descongestionada, diz também que o futuro não tem muito espaço para o carro privado e que a tendência, já em marcha, é para a movimentação multimodal.

Quais são as tendências de mobilidade que vai apresentar no Portugal Mobi Summit?

Nesta edição do Mobi Summit, vamos partilhar a nossa visão de um futuro de mobilidade urbana partilhada. O futuro da mobilidade é multimodal: não tem espaço para o carro privado, mas tem um grande espaço para os transportes públicos. O transporte público será sempre a forma mais eficiente de levar grandes partes da população do ponto A para o ponto B. A Uber fortalece os transportes públicos ao alargar o seu alcance, cobrindo o primeiro e o último quilómetro. Para aliviar a dependência do carro pessoal, é essencial que os residentes tenham várias opções confiáveis. A Uber está empenhada em juntar vários modelos de transporte dentro da sua app, para que as pessoas em todo o mundo tenham mais opções na hora de decidir como irão do ponto A para o ponto B.

Como é que vê o vosso papel nesta mudança de mobilidade que ocorre na Europa?

A Uber está a fazer parcerias com cidades em toda a Europa para atacar em conjunto questões essenciais, tais como a melhoria das opções de mobilidade urbana, a redução da posse individual de carro, a expansão do acesso a transportes, o combate ao congestionamento e à poluição atmosférica e a melhoria dos transportes nas zonas rurais. Estamos a trabalhar ativamente com os reguladores na Europa para introduzir produtos amigos do ambiente. É o caso das bicicletas elétricas sem base e o nosso serviço de veículos totalmente elétricos, Uber Green, para ajudar essas cidades a diminuírem a poluição atmosférica, reduzirem o congestionamento urbano e aumentarem o acesso a opções de transporte mais limpas. Aqui, em Lisboa, já temos o Uber Green e as bicicletas Jump. Estamos a explorar mais formas de transportar pessoas nas suas cidades sem que elas precisem de ter um carro - seja introduzindo bicicletas Jump, novos serviços "pool" ou integrando informação de trânsito e opções dentro da nossa app.
Têm parcerias no sul da Europa para incentivar o uso de boleias e transporte público?

Em setembro, lançámos em Paris a opção Trânsito. A informação RATP [Régie Autonome des Transports] & SNCF [Société Nationale des Chemins de Fer] aparece sob "Transporte Público" na app da Uber e permite aos utilizadores obterem dados em tempo real, para que possam planear a sua viagem.
Mas como vão convencer os condutores a substituírem totalmente o seu carro por um serviço de boleias?
A Uber é uma opção confiável, segura e barata para as pessoas se movimentarem nas cidades. Os utilizadores podem conseguir uma boleia facilmente, saber quem vem a conduzir antecipadamente e a que horas vão chegar ao destino. E não têm de pagar em numerário. Com as bicicletas e trotinetes agora disponíveis na app, e mais opções de mobilidade que estão por vir, queremos ser um ponto de paragem único para todos os transportes, de forma a que a pessoa possa largar o seu carro e movimentar-se na cidade com confiança.

Já consideraram a hipótese de lançar um passe para o Uber, como há nos transportes públicos?

Recebemos feedback sobre como a Jump é importante para a ida e vinda do trabalho em Lisboa e como diferentes utilizadores gostariam de ter um plano personalizado para as suas viagens. Este mês, anunciámos um projeto piloto de assinaturas Jump em Lisboa, que é o primeiro na Europa. Vemos um mundo em que há algo para toda a gente, quer usem um ou múltiplos serviços Uber, e as assinaturas são uma grande parte da nossa abordagem no que toca à consistência com um preço mensal.

Considera então que estes veículos alternativos, bicicletas e trotinetes, são uma forma real de tirar carros da estrada?

O futuro da mobilidade integra novas modalidades, que são mais suaves. A Uber acredita mesmo que a forma mais eficiente de levar uma pessoa de A a B não é necessariamente sempre o carro. É por isso que estamos a integrar novos modos na nossa app, para a tornar um pacote multimodal: carros, bicicletas, trotinetes, e um dia, porque não, opções de transporte público. Imagine, para as suas viagens mais curtas, poder usar uma bicicleta através da app da Uber. Em Lisboa pode facilmente ir de comboio até ao Cais do Sodré e depois ir de bicicleta até ao seu escritório.

Para atingir este futuro, que desafios têm de ser superados?

Acreditamos que podemos continuar a inovar para resolver desafios complexos no movimento, e planeamos usar a nossa plataforma altamente extensível para suportar a introdução de produtos adicionais. A nossa rede enorme, que lidera em termos de tecnologia, excelência operacional e conhecimento de produto, permite-nos introduzir novas funcionalidades e incorporar feedback em tempo real com uma velocidade, eficiência e escala que acreditamos que os nossos concorrentes não conseguem igualar. À data de 31 de dezembro de 2018, as bicicletas elétricas sem base e as trotinetes elétricas estavam disponíveis em 12 e 4 cidades, respetivamente. Em certos mercados, também começámos a integrar os transportes públicos na nossa oferta de mobilidade pessoal, para permitir mais viagens multimodais a preços mais baixos, e estamos a explorar extensões à nossa oferta Uber Eats.

O Uber Elevate (táxis voadores) e os carros autónomos fazem parte desta estratégia, ou esses são projetos futuristas visualizados para o longo prazo?

A missão da Uber é fazer avançar a mobilidade urbana. Estamos sempre a pensar em formas de levar as pessoas do ponto A para o ponto B. É central, para isto, o nosso foco em olhar mais além e pensamos que é importante começar a ter um papel nas opções de futuro, como o Elevate e os carros autónomos. Além disso, já iniciámos a mudança para a autonomia. Pelo facto de as pessoas usarem o carro como um serviço partilhado e não como um bem privado. E ao colocar várias pessoas em carros autónomos, eles podem descongestionar as cidades.
Também firmámos parcerias com fabricantes, a Volvo, Daimler, e mais recentemente a Toyota. Estamos muito confiantes quanto ao futuro que antevemos.

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