Vítor Constâncio

Adiamento da votação no BCE é "surpreendente" e "estranha"

Adiamento da votação no BCE é "surpreendente" e "estranha"

O ministro das Finanças classificou hoje de "surpreendente" e "estranha" a decisão do presidente do Eurogrupo de adiar a votação do novo vice-presidente do Banco Central Europeu, um lugar ao qual Vítor Constâncio se apresenta como candidato.

Esta situação foi "para mim foi surpreendente" e "eu acho muito estranho que uma pessoa tão experiente como o senhor presidente do Eurogrupo tenha de facto invocado a necessidade de um parecer jurídico que podia ter sido obtido previamente à reunião de ontem", disse Fernando Teixeira dos Santos em Bruxelas à entrada para uma reunião dos ministros das Finanças da União Europeia.

O presidente do Eurogrupo, o primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, decidiu segunda-feira à noite que a escolha do próximo vice-presidente do BCE fosse adiada devido a problemas "jurídicos", de interpretação do método de votação.

"Pedimos um parecer do serviço jurídico para nos clarificar essa matéria", disse Juncker no final de um encontro dos ministros das Finanças apenas da Zona Euro, acrescentando que "não é uma questão política, é questão jurídica".

Por seu lado, Teixeira dos Santos renovou hoje o apoio de Lisboa ao candidato português: "o dr. Vítor Constâncio conta com o apoio claro na sua candidatura e em Fevereiro cá estaremos para proceder a essa votação", disse.

O grego Lucas Papademos termina o seu mandato de oito anos em finais de Junho próximo, havendo três candidatos ao lugar.

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, e o governador do Banco Central do Luxemburgo, Yves Mersch, são vistos como os candidatos mais fortes, que partem com vantagem em relação ao terceiro nome que está na corrida, o do director do Banco Central da Bélgica, Peter Praet.

Os ministros das Finanças deverão agora tentar chegar a um acordo a 15 de Fevereiro, quando se voltarem a encontrar, também em Bruxelas.

O candidato escolhido (proposto) pelos ministros das Finanças será formalmente nomeado pelos chefes de Estado e de Governo dos 27, numa reunião que terá lugar a 25 e 26 de Março.

O Parlamento Europeu também será chamado a emitir um parecer, que não é vinculativo, sobre o candidato proposto pelos ministros das Finanças.

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