Polémica

Administrador da Tap e mulher de Medina recebem bónus em ano de prejuízos

Administrador da Tap e mulher de Medina recebem bónus em ano de prejuízos

A TAP pagou prémios de 1,171 milhões de euros a 180 trabalhadores, incluindo 110 mil euros a dois quadros superiores. A mulher do autarca de Lisboa, Fernando Medina, jurista, também recebeu bónus em ano de prejuízos.

Em causa estão prémios que foram pagos com o salário de maio destes colaboradores e que chegam aos 110 mil euros extra atribuídos ao administrador Abílio Martins e a Elton d´Souza.

A seguir está um valor de mais de 88 mil euros, outro de mais de 49 mil euros e um de 42 mil euros. Acima dos cinco mil euros há 44 bónus, de diversas áreas e departamentos, desde o conselho de administração a serviços como Receita, Operações, Manutenção ou Marketing. Na lista de 180 trabalhadores abrangidos consta a jurista Stéphanie Silva, mulher do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, que recebeu 17801,10 euros, segundo a lista, a que o jornal I teve acesso.

A atribuição de prémios no valor total de 1,171 milhões de euros, decidida pela comissão executiva - liderada por Antonoaldo Neves - deixou os representantes do Estado na transportadora aérea "bastante incomodados", segundo o "Jornal de Negócios", uma vez que, no ano passado, a TAP registou um prejuízo de 118 milhões de euros, valor que compara com um lucro de 21,2 milhões de euros no ano anterior. Por isso, os seis membros nomeados pelo Estado convocaram para esta quinta-feira uma reunião extraordinária do conselho de administração, acrescenta.

"Mal-estar" entre trabalhadores

Paulo Duarte, coordenador do Sitava (Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos), confessou à Lusa que estranhava "muito a TAP ter tomado essa iniciativa que nunca foi prática habitual e que vai lançar a desigualdade entre trabalhadores pela falta de equidade", visto que apenas alguns foram escolhidos.

"Não entendemos isto tendo em conta que num ano em que tivemos lucros [2017] os prémios foram distribuídos por todos", num valor igual, detalhou o dirigente sindical. Paulo Duarte disse que esta estratégia criou "mal-estar" na empresa.

Contactada pela Lusa, a TAP disse que não comenta "as suas políticas de mérito".

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