Economia

Aeroporto do Porto com planos para duplicar passageiros em 6 anos

Aeroporto do Porto com planos para duplicar passageiros em 6 anos

A comemorar 70 anos de vida depois de amanhã, o Aeroporto do Porto/Francisco Sá Carneiro está longe de estar ultrapassado.

Na última década, quadruplicou o número de passageiros, de cerca de dois milhões para os oito milhões a contabilizar até ao final deste ano, e os planos para duplicar a capacidade de movimentos, até 2022, poderão, segundo o diretor, Fernando Vieira, "duplicar os atuais passageiros em poucos anos".

Com os atuais 73 destinos diretos, operados por 20 companhias aéreas, a próxima grande aspiração do aeroporto é captar mais voos de longo curso. "As companhias de longo curso só começam a equacionar aeroportos quando atingem cerca de 12 milhões de passageiros, portanto, com oito milhões, já vão começar a olhar para nós com outro interesse. Já temos algumas aproximações de certas companhias, mas estas coisas chegam a levar anos a negociar", explica Fernando Vieira, diretor do aeroporto há quase 20 anos e responsável pela estratégia que tornou o destino conhecido. "Foi sorte e foi algum mérito", admite, com a reserva que lhe conhecem os funcionários do aeroporto e os parceiros de instâncias como a Associação de Turismo do Porto, cuja direção também integra.

Empurrão no turismo

Hoje, é sabido que o turismo cresce a dois dígitos na região, que já não recordará os tempos em que o tráfego de passageiros estava estagnado e o Porto mal era conhecido, nem como cidade, nem como destino turístico. "Lembro-me de andarmos de "chapéu na mão" a correr todas as forças vivas da região para conseguirmos um incentivo que trouxesse para cá as "low cost", e de todos nos dizerem que esse turista de chinelo não nos interessava. Só o Mário Ferreira [da Douro Azul] foi capaz de participar nesse incentivo, numa altura em que a Ryanair mal nos recebia. Posso dizer, sem modéstia, que foi o Aeroporto do Porto que deu o pontapé de saída nisto tudo, neste crescimento brutal do turismo nos últimos anos", recorda.

A entrada do novo acionista na ANA - Aeroportos de Portugal, a Vinci Airports, também foi identificada por alguns como potencial ameaça ao desenvolvimento do aeroporto. Porém, será o plano de investimentos previsto na concessão o responsável pela próxima grande expansão da infraestrutura, invisível aos passageiros, mas capaz de permitir passar de um máximo de 20 para 32 movimentos de aviões por hora, através da construção de caminhos paralelos à pista. "O Plano Diretor do Aeroporto do Porto, algo que já foi inovador na época porque previa fases de ampliação para uma obra pública pensada a 10, 20 ou 30 anos, previa passarmos da fase dos seis milhões de passageiros para nove milhões, depois para 12 e 15 milhões. Mas vamos saltar uma fase e vamos diretamente dos seis para os 12 milhões", explica Fernando Vieira.

Trunfos bem guardados

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Entre os segredos mais bem guardados do êxito das últimas duas décadas do Aeroporto do Porto, Fernando Vieira destaca ainda a equipa pequena, com pouco mais de cem pessoas, mas eficiente e motivada, "porque só quando há uma elevada responsabilização das pessoas se consegue este orgulho e brio que temos no nosso aeroporto". A eficiência é a chave para a competitividade, na perspetiva do diretor do aeroporto, que se orgulha do prémio "Boas Práticas" que a EDP lhe atribuiu, no ano passado, fruto da poupança de 12,5% em energia, apesar do aumento de passageiros". É, também, o segundo aeroporto da Europa com maior taxa de tratamento de resíduos, pouco atrás de Oslo.

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