Consumo

Afluência nos supermercados dispara nas manhãs de fim de semana

Afluência nos supermercados dispara nas manhãs de fim de semana

Número de pessoas aumentou 50% desde que foram impostos os novos horários. Restrições nas lojas devido à covid-19 levam à aglomeração de clientes nas filas à porta que chegam a ter mais de uma hora de espera.

O funcionamento dos hipermercados e de outras grandes superfícies em horário reduzido, apenas de manhã aos sábados e domingos, a par da limitação do número de clientes, está a gerar filas no exterior que chegam a mais de uma hora de espera. As restrições devido à pandemia estão a ser contraproducentes, reclama a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que defende que possam entrar o dobro dos clientes nas lojas. Mesmo com menos vendas aos fins de semana, o setor dos súper e hipermercados é o que mais cresce em valor de transações, segundo a SIBS.

"Foi sentido especialmente um crescimento nas lojas alimentares, com os portugueses a tentarem abastecer as suas casas entre as 10 e as 13 horas. Isto provocou bastantes filas à porta, pois foram cumpridos os rácios impostos pela DGS", comentou Gonçalo Lobo Xavier, relativamente aos fins de semana passados. O diretor-geral da APED calculou que, face a outros sábados ou domingos sem restrições, o "aumento da afluência foi na ordem dos 50%". Para o responsável, "deixar as lojas vazias com pessoas a amontoarem-se à porta em nome da suposta saúde pública é um erro, uma incongruência e uma teimosia", que levará a um "agravamento dos problemas" com a aproximação do Natal. Por isso, defende que "é preciso aumentar o número de pessoas em loja, e já, para 10 pessoas por 100 m2 como acontece em Espanha ou Alemanha".

Quebra nas vendas

Além do horário reduzido, a limitação de clientes nas lojas gerou filas que, no caso do Auchan, levou os "clientes a terem de aguardar entre 40 minutos e uma hora para conseguirem entrar" na semana passada. No Lidl, para conseguir "dar resposta à inevitável concentração que o ajuste de horário tem vindo a implicar", foram reforçadas as equipas nas lojas. Ainda assim, houve "filas de clientes à entrada".

Apesar da afluência elevada, a diminuição do horário de funcionamento resultou em menos vendas. Segundo Lobo Xavier, a quebra é "na ordem dos 50%" nos supermercados e de cerca de 65% no caso do retalho especializado (outras lojas em centros comerciais).

No caso do El Corte Ingles, a afluência não chegou a gerar filas, ainda que algumas áreas de venda tenham tido acesso bloqueado por limitação do número de clientes, mas "toda esta situação de pandemia se traduziu, está a traduzir-se, numa retração substancial nas vendas desde março".

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Crescer na pandemia

Para os supermercados e hipermercados, as quebras vêm atenuar o crescimento acumulado de 16%, desde o início da pandemia. Segundo a gestora da rede multibanco em Portugal, o valor de transações com cartões naqueles estabelecimentos ascende já a 8,6 mil milhões de euros. Só a "Tecnologia, Cultura e Entretenimento" crescem mais no mesmo período (ver ao lado).

As cotadas em bolsa, Sonae MC e Jerónimo Martins, apresentaram, até setembro, resultados diferentes. A Modelo Continente continuou em forte expansão, ao aumentar as vendas em 10% para quase 3,8 mil milhões de euros, enquanto o Pingo Doce viu o volume de negócios cair 2,3% para 2,8 mil milhões.

Gastamos mais 49% em tempos livres

A categoria "Tecnologia, Cultura e Entretenimento" aumentou 49% o valor das transações entre o início de março e novembro face ao homólogo do ano passado. São já 1,2 mil milhões de euros em compras tipicamente úteis em tempos de confinamento, nomeadamente relativas a eletrodomésticos, eletrónica, equipamentos audiovisuais, livros, discos, CD, DVD e similares. Todos os principais setores apresentam quebras: moda (42%), restaurantes (40%), gasolineiras (18%), telecomunicações (11%).

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