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Agência Fitch corta 'rating' de Portugal devido à demissão de Sócrates

Agência Fitch corta 'rating' de Portugal devido à demissão de Sócrates

A agência financeira Fitch cortou o 'rating' de Portugal em dois níveis, de A+ para A-, devido às dificuldades na implementação de medidas e de financiamento após o chumbo do PEC no Parlamento e da demissão do primeiro-ministro. E admite novo corte, em vários níveis, nos próximos meses.

"Este corte reflecte o agravamento dos riscos para a implementação de políticas e financiamento orçamental à luz do insucesso do Parlamento português para aprovar novas medidas de consolidação orçamental e da demissão do primeiro-ministro no dia 23 de Março [quarta-feira]", explica o director do grupo de análise de dívida soberana da Fitch, responsável por Portugal, Douglas Renwick.

A agência de 'rating' relembra que a 23 de Dezembro, quando efectuou o último corte de 'rating' sobre Portugal, poderiam ser necessárias medidas adicionais de consolidação para o Governo conseguir assegurar os objectivos "ambiciosos" para o défice orçamental este ano, de 4,6% do PIB.

A agência diz mesmo que o insucesso em fazer aprovar estas medidas ontem [quarta-feira] e a incerteza politica resultante "enfraqueceu a credibilidade do programa de ajustamento orçamental e de reformas estruturais de Portugal", levando a este corte.

Possibilidade de novo corte

A agência Fitch alertou que sem um pacote de apoio financeiro credível do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, Portugal sofrerá novo corte de 'rating', possivelmente em vários níveis, nos próximos meses.

"O RTW (Rating Watch Negative - revisão para possível corte) indica uma forte probabilidade de um downgrade nos próximos três a seis meses. Na ausência de um programa de apoio financeiro oportuno e credível do FMI e da UE, o 'rating' soberano de Portugal será provavelmente alvo de novo corte, possivelmente em mais de um nível", afirma a agência.

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A Fitch explica ainda que o resultado desta revisão terá ainda em conta as perspectivas económicas e orçamentais, incluindo o potencial custo para as contas públicas da necessidade de reforçar os capitais da banca portuguesa.

Assim, diz a agência, após os desenvolvimentos de quarta-feira, a probabilidade de Portugal pedir apoio financeiro internacional no curto prazo "aumentou significativamente", que duvida ainda da capacidade de se continuar a financiar nos mercados de dívida em níveis sustentáveis.

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