Economia

Alemanha defende governo económico na zona euro

Alemanha defende governo económico na zona euro

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schaeuble, defendeu hoje, quinta-feira, que se esclareçam "rapidamente os passos a dar para criar um governo económico entre os países da zona euro, aberto à participação de outros países da União Europeia.

"Sou a favor de que se esclareça rapidamente o âmbito do chamado governo económico e os pormenores de um processo de decisão eficiente e democraticamente legitimado", disse Schaeuble em artigo publicado no jornal Frankfurter Allgemeine.

Até agora, Berlim tinha colocado reservas à criação de um governo económico - proposta que foi introduzida no debate pela França, durante a crise das dívidas soberanas -, mas recentemente a chanceler Angela Merkel também se mostrou mais aberta à ideia.

Schaeuble, sublinhou, no entanto, que o governo económico "não deve ser um clube fechado", mas deve permitir a participação voluntária de outros países da União Europeia que não tenham adoptado a moeda única.

No que se refere à actual situação na zona euro, o ministro democrata-cristão disse que esta será ultrapassada, lembrando que "a integração europeia saiu sempre reforçada das crises".

Actualmente, porém, os mercados financeiros e os mercados de capitais "estão muito nervosos, e testam até que ponto é que a cooperação europeia funciona", constatou.

A colocação com êxito, na quarta-feira, de cinco mil milhões de euros de obrigações do fundo de estabilização europeu, cuja procura superou 10 vezes a oferta, "mostra que o nervosismo já não é tão grande", referiu Schaeuble.

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"Estamos perante uma crise de endividamento de alguns estados, e não de uma crise monetária, apesar de todas as turbulências, tanto o valor externo como o valor interno do euro têm-se mostrado muito estáveis", vincou.

O ministro alemão considerou também, no mesmo artigo, que o Banco Central Europeu (BCE) "tem tido um papel positivo e zelado pela estabilidade dos preços", mostrando-se confiante de que a confiança no euro se irá reforçar.

Para isso, no entanto, "é necessário comprometer os países membros com uma política orçamental estável", disse Schaeuble, sustentando que os diferentes juros que os estados pagam para se refinanciar nos mercados "são um estímulo e também uma sanção para castigar a falta de disciplina orçamental".

O político democrata-cristão voltava assim a justificar a sua recusa de aceitar a emissão de obrigações do tesouro a nível europeu, os chamados "eurobonds", solução defendida pelo presidente do eurogrupo, Jean-Claude Juncker, e por alguns países, nomeadamente Portugal, como forma de se obterem empréstimos em condições mais favoráveis.

Na opinião de Schaeuble, porém, será "difícil fazer grandes progressos institucionais" na União Europeia, pelo que "é necessário reforçar a cooperação intergovernamental, para uma melhor coordenação das políticas económicas, financeiras e sociais" entre os 27.

Além disso, "como ninguém quer um super-estado europeu que assuma todas as competências dos estados nacionais clássicos, temos de manter o princípio da construção europeia e dividir as competências a nível nacional e europeu de forma inteligente, para legitimar democraticamente todas as decisões", sugeriu ainda.

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