Emprego

Alemanha precisa de jovens portugueses com formação média e superior

Alemanha precisa de jovens portugueses com formação média e superior

Os democratas-cristãos alemães (CDU/CSU) estão a debater formas de angariar jovens portugueses com formação média e superior para o seu mercado de trabalho, para suprir a falta de quadros na Alemanha e ajudar Portugal a reduzir o desemprego.

"Acho que seria benéfico para ambos os países, porque Portugal tem um desemprego elevado entre os jovens, e na Alemanha a falta de força de trabalho qualificada é cada vez mais premente", disse à Lusa o vice-presidente do grupo parlamentar da CDU, Michael Fuchs.

O político conservador, esclareceu, no entanto, que "se trata de uma ideia que está a ser debatida a nível da CDU", e também do outro partido do governo os Liberais, "mas não há ainda planos concretos sobre formas de angariação" por exemplo.

Quanto às áreas de recrutamento, "as novas tecnologias são um dos domínios com mais falta de especialistas, mas há muitos outros sectores para os quais se podem angariar jovens trabalhadores estrangeiros, já com cursos superiores ou com o ensino médio concluído, para fazerem a formação profissional aqui", sublinhou Fuchs.

"Sublinho, no entanto, que ainda não falámos de medidas práticas", acrescentou o deputado democrata-cristão.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Alemã da Indústria e o do Comércio (DIHK), Heinrich Driftmann, afirmou que mais trabalhadores portugueses, sobretudo com elevadas qualificações, "naturalmente que serão bem-vindos".

O empresário sublinhou que a Alemanha "precisa de bons cérebros, tanto nacionais, como estrangeiros", acrescentando que, para suprir "pelo menos parcialmente, as necessidades de força de trabalho qualificada da maior economia europeia, não basta reforçar as contratações na União Europeia, é preciso contratar técnicos em todo o mundo.

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Por seu turno, um porta-voz da Confederação Alemã dos Empregadores (BDA) considerou "prematuro" comentar planos a nível partidário ou parlamentar para angariar jovens trabalhadores em Portugal e Espanha, por exemplo.

O mesmo responsável lembrou, no entanto, que, até 2030, faltarão no mercado alemão 5,2 milhões de trabalhadores, dos quais 2,4 milhões com cursos superiores.

Só no domínio das matemáticas e da engenharia, no ano de crise de 2009 faltavam 63 mil especialistas e, se não forem tomadas medidas, até 2020 faltarão 230 mil.

A evolução demográfica, caracterizada por uma baixa taxa de natalidade nos últimos anos, agravará a situação, e em 2030 deverá haver apenas 42 milhões de pessoas na idade activa, entre os 20 e os 65 anos, menos um quinto do que actualmente, segundo o Instituto Federal de Estatística (Destatis).

Na Alemanha existem quase sete milhões de imigrantes, um terço dos quais oriundos da Turquia, de longe o país com a maior comunidade estrangeira, e perto de 116 mil portugueses, a maioria dos quais da primeira geração, que começou a chegar em meados dos anos sessenta.

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