Economia

Álvaro Santos Pereira desvaloriza contestação na Covilhã

Álvaro Santos Pereira desvaloriza contestação na Covilhã

O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, desvalorizou este domingo, em Coimbra, a contestação de manifestantes de que hoje foi alvo na Covilhã, afirmando que "em todas as grande mudanças, em períodos de crise, há sempre vozes descontentes".

O ministro defendeu que, neste período "o mais importante" é manter a coesão social, o diálogo social, e "sempre as portas abertas", entre o Governo, parceiros sociais, trabalhadores e empresas.

"Mostrarmos que Portugal, mais uma vez, é diferente. Já passámos por muitas crises no nosso passado, gravíssimas, e soubemos sempre dar a volta, mantendo-nos unidos e tendo coragem para reformar", sublinhou.

Em conversa com jornalistas, no final de uma conferência que hoje proferiu na Faculdade de Economia de Coimbra, salientou que a razão de ser das reformas, e que na Covilhã foram contestadas, "é o interesse nacional e não interesses privados".

Álvaro Santos Pereira já durante a conferência, que proferiu na sua qualidade de antigo aluno daquela faculdade, realçara que o atual Governo "foi onde nunca ninguém tinha ousado tocar", em relação aos denominados "interesses instalados", para libertar crédito para a economia.

"Eu gostaria de desafiar alguém a mostrar que outro Governo cortou nos interesses instalados como este", nomeadamente nas "rendas excessivas" da energia, observou.

Referiu que o atual Governo "cortou dois mil milhões, pela simples razão de que, a austeridade, os sacrifícios são para ser partilhados por todos".

Respondendo a questões levantadas pela assistência, o ministro da Economia alegou que o abandono do projeto do TGV terá como opção a aposta na "bitola europeia" para as comunicações ferroviárias entre Portugal e a Europa, com duas ligações, uma através de Sines, Lisboa, Setúbal e Madrid e outra no Centro, de Aveiro, Vilar Formoso e Salamanca.

"Estamos em comunicação com a União Europeia para acertar todos os detalhes, para podermos lançar os concursos, mas obviamente que a intenção do Governo é fazê-lo o mais rapidamente possível, tendo em conta os condicionalismos financeiros", do país e da Comunidade, explicou.

O ministro preconizou ainda uma aposta cada vez maior na língua portuguesa como "instrumento económico poderosíssimo" que é, para a criação de redes de negócios e empresariais no âmbito da lusofonia.

"A língua não pode ser só um fator de união cultural, histórica", observou, frisando com as taxas de desenvolvimento que os países de língua portuguesa estão a apresentar "existem sinergias enormes" e aos governos compete dinamizar uma maior cooperação económica, uma maior integração económica.

No entendimento de Álvaro Santos Pereira, para Portugal "parte da diversificação dos mercados passa certamente pela lusofonia".

A Álvaro Santos Pereira coube hoje proferir a conferência "Memorando para o Crescimento e o Emprego", que inaugurou um ciclo da Associação de Antigos Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.