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Ambientes rurais sobem ao topo das tendências do turismo em 2021

Ambientes rurais sobem ao topo das tendências do turismo em 2021

Apoios em Portugal e Espanha vão ser importantes para setor recuperar aquando do alívio das restrições, aponta OMT. Organização revela que retoma internacional ditará "procura mais forte" por viagens "autênticas", em zonas campestres.

O turismo em Portugal vive dias de grande incerteza. Depois de 2020 ter sido um dos piores anos de que há memória, os primeiros meses de 2021 apenas vieram confirmar que o trágico cenário iria continuar. Com a Páscoa já perdida - devido ainda às fortes restrições à escala nacional e europeia - muitos esperam que o sol e o calor do mês de junho anime a atividade.

Longe dos números de 2019 - as projeções dos organismos internacionais sugerem que isso poderá acontecer em 2023 - a Organização Mundial do Turismo (OMT) acredita que pelo menos uma parte da herança da pandemia vai prolongar-se nos próximos meses e anos. O turismo interno vai ser o primeiro a recuperar, com as zonas mais rurais a continuarem a assumir um papel relevante.

"Como vimos nos últimos meses, o turismo interno vai regressar antes do turismo internacional e, com isto, chegam oportunidades para as áreas rurais em particular. As ações levadas a cabo pelo Governo para desenvolver infraestruturas e novas experiências, com instrumentos como o programa Revive, vai reforçar esta tendência", diz em entrevista ao JN/Dinheiro vivo Zurab Pololikashvili, secretário-geral da OMT.

Experiências únicas

"Com a retoma do turismo internacional, antecipamos uma procura mais forte por experiências de viagem autênticas e únicas, incluindo experiências na natureza e em ambiente rural", acrescenta.

No ano passado, Portugal contou com 10,5 milhões de hóspedes - longe dos mais de 27 milhões em 2019 -, dos quais 6,5 milhões eram residentes no país (dados do INE). Foram registadas 25,8 milhões de dormidas (em 2019 foram mais de 70 milhões), das quais 13,6 milhões foram realizadas por residentes em Portugal.

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À escala europeia, o panorama não foi muito diferente: "2020 foi o pior ano registado para o turismo, com as chegadas de turistas internacionais a cair mais de 70%, para níveis de 1990", desabafa. Por isso, Zurab Pololikashvili não duvida que "recuperar a confiança no turismo internacional é uma prioridade".

Nesta rota, o certificado verde digital, proposto ontem pela Comissão Europeia, pode dar um empurrão à atividade.

A OMT defende que "tanto Portugal como Espanha estão no topo dos destinos turísticos" e que os apoios ao setor vão ser uma alavanca para a retoma. Em Portugal, até à última semana de fevereiro, tinham sido aprovadas mais de 10 mil candidaturas, no valor de 92,9 milhões de euros, dos quais 83,3 milhões já tinham sido pagos, a maior parte na restauração (59% do total) e no alojamento.

Ajudas sem precedentes

"Os governos de ambos os países apoiaram ativamente o setor - incluindo através de pacotes de ajuda económica sem precedentes - e, por conseguinte, milhões de cidadãos cujos meios de subsistência estão ligados ao turismo. Em conjunto com a infraestrutura existente, isto vai ajudar o turismo a estar pronto para recuperar da crise e para tirar partido da procura reprimida que temos observado, quando as restrições forem levantadas", sustenta o secretário-geral da OMT.

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