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Américo Amorim garante que não consultou o BPN para financiar compra na Galp Energia

Américo Amorim garante que não consultou o BPN para financiar compra na Galp Energia

O empresário Américo Amorim garantiu, esta quinta-feira, que a compra da participação na Galp Energia foi em grande parte financiada por "sete bancos europeus", recusando ter consultado o BPN para o efeito.

"O dossier de financiamento da aquisição de uma posição accionista na Galp Energia foi tratada pessoalmente por mim junto de sete bancos europeus, com os quais negociei e fechei a operação financeira", afirmou hoje em comunicado Américo Amorim.

No esclarecimento enviado à Lusa, o empresário realçou que "do montante total da operação de financiamento em referência, cerca de dois terços dos fundos foram tomados fora de Portugal e apenas um terço teve origem no país".

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"Nunca consultei o BPN e praticamente não tenho quaisquer contactos, até hoje, com o BPN", declarou.

Para Américo Amorim, "todas as pseudo-informações publicadas sobre tal matéria são completamente falsas e certamente inspiradas pelo desejo de confundir a opinião pública sobre o mérito intrínseco da operação de aquisição do BPN pelo Banco BIC", banco de capitais luso-angolanos, do qual Américo Amorim é accionista.

O Bloco de Esquerda (BE) questionou o Governo na semana passada sobre a existência ou não de um crédito, por liquidar, da Amorim Energia ao BPN, referente à compra de uma participação na Galp em 2006.

"Confirma o Governo a existência de um crédito, por liquidar, da Amorim Energia ao BPN? Em caso afirmativo, qual o seu valor?", questionou o deputado João Semedo em nota endereçada ao ministério das Finanças.

O BE diz que tomou conhecimento do crédito recentemente através da comunicação social, pelo jornal i, onde foi revelado que "o crédito, na ordem dos 1,6 mil milhões de euros, teria sido concedido pelo BPN à Amorim Energia em 2006", e que a fonte da notícia acrescentava ainda "que o empréstimo não chegou a ser pago pela 'holding' ao BPN, mantendo-se assim a divida de 1,6 mil milhões de euros" durante o período em que o banco esteve na posse do Estado.

A Amorim Energia, aponta o BE, é uma 'holding' detida "não apenas por Américo Amorim" e que tem como accionistas a Santoro Holding Financial, de Isabel dos Santos, e a Sonagol.

"Como é conhecido, a Santoro Holding Financial, além de accionista da Amorim Energia, é também accionista maioritária do Banco Internacional de Crédito (BIC), a quem o Estado irá vender o BPN", notam os bloquistas.

"Desta forma, a venda do BPN, com os seus créditos, ao BIC, poderá implicar que o crédito de 1,6 mil milhões de euros seja pago pela Amorim Energia a um banco que tem como principal accionista a própria devedora", escreve o deputado João Semedo, para quem o caso, a confirmar-se, "acrescenta mais um episódio inaceitável de falta de transparência associado a todo o processo de reprivatização do BPN".

"Caso exista, como explica o Governo a não execução do referido crédito para fazer face aos prejuízos associados ao BPN, durante os anos em que o banco esteve na posse do Estado e foi administrado pela CGD?", questiona.

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