Mobilidade

Compra de bicicletas ao estrangeiro sobe 62% desde 2015

Diogo Ferreira Nunes (DV/JN)

No ano passado, foram importadas 172 222 bicicletas, sobretudo elétricas

Foto Maria João Gala / Global Imagens

Procura de velocípedes pelos portugueses é cada vez maior. Produção nacional não chega para dar resposta.

Os portugueses querem dar cada vez mais ao pedal. Apesar de o país ter a camisola amarela das exportações, a procura excede em muito a oferta.

À conta disso, as compras de velocípedes ao estrangeiro aumentaram 62% entre 2015 e 2020. As unidades com assistência elétrica estão a ganhar cada vez mais protagonismo.

No ano passado, foram importadas 172 222 bicicletas, segundo os dados obtidos pelo JN/DV junto do Instituto Nacional de Estatística (INE). Mesmo em tempo de pandemia, o mercado cresceu 5% em 2019, Portugal tinha ido buscar 163 935 unidades.

Em 2020, mais de três quartos das importações corresponderam a bicicletas convencionais - ou seja, as unidades com assistência já tinham 25% do mercado.

"As pessoas procuram um modo de transporte saudável, económico e, ao mesmo tempo, amigo do ambiente. Muitas cidades e países europeus lançaram ou aceleraram arrojados programas de investimento de apoio e estímulo a modos ativos e de contenção do uso do automóvel", justifica Rui Igreja, líder da Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta (MUBi).

A procura por este artigo foi sentida nas lojas da Sport Zone. "Começou desde o primeiro confinamento como também depois dessa altura, o que demonstra a tendência crescente dos portugueses em praticar desporto ao ar livre", reporta fonte oficial.

Mesmo assim, "a rutura de stock de alguns segmentos foi inevitável no ano que passou, principalmente pelas dificuldades que as fábricas tiveram em dar resposta a todos os pedidos".

Os dados do INE, no entanto, revelam que as importações de unidades com assistência recuaram no ano passado - para 41 976 unidades - quando em 2019 tinham chegado 43 922.

Na Sport Zone, a venda de bicicletas "estabilizou e está a decorrer de forma relativamente normal".

Mas os primeiros três meses deste ano antecipam mais um novo máximo nas importações.

Entre janeiro e março, Portugal obteve 37 974 bicicletas no mercado internacional, mais 30,5% do que no ano passado e em 2019. As unidades com assistência elétrica já representam mais de um terço das aquisições.

Mais de 41 milhões

Os velocípedes que chegaram a Portugal no ano passado valeram 41,38 milhões de euros, o que compara com os 25,5 milhões de euros de 2015, o que traduz um aumento de 62%.

Mais elétricas lá fora

A quota de mercado dos velocípedes em Portugal é inferior à do estrangeiro. "Em vários países, as bicicletas com assistência elétrica representam já mais de metade das vendas totais de bicicletas", diz a MUBi.