Portugal Mobi Summit

Mobilidade sustentável nas cidades depende de integração

Foto André Luís Alves/global Imagens

Num ambiente tecnológico inteligente em que os sistemas de transportes públicos comunicam entre si, será mais fácil gerir a intermodalidade e facilitar a vida ao utilizador. "Vamos ganhar qualidade de vida e produtividade", diz Nuno Oliveira.

A discussão em torno da sustentabilidade e da mobilidade continua no terceiro e último dia da cimeira Portugal Mobi Summit, que se realiza em Cascais, procurando fomentar a partilha de experiências e casos de estudo nesta área. Esta manhã, o debate "Redes intermodais e mobilidade sustentável", moderado pelo diretor executivo da TSF Pedro Cruz, juntou João Almeida (Card4B), João Santos (Gesfrota), Jorge Patrício (Altice) e Nuno Oliveira (Soltráfego), que elencaram medidas e projetos que estão a revolucionar as cidades.

Entre os participantes, contam-se três empresas dedicadas a ajudar a melhorar a mobilidade nos centros urbanos de formas diferente: pela gestão do tráfego e do estacionamento, pela integração de sistemas de bilhética nos transportes públicos e também pela gestão inteligente e eficiente de frotas. Nuno Oliveira, antigo vice-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, procurou explicar o papel da sua empresa, a Soltráfego, nesta revolução ambiental e logística.

"Precisamos dos dados num plano macro para saber quantas pessoas entram na cidade, de onde vêm e para onde vão, mas depois precisamos de aproveitar essa informação não só para planear o território e o transporte publico, mas, ao mesmo tempo, garantir que a cidade funciona melhor", descreve. Para isso, a utilização de tecnologia é essencial e "hoje há soluções para isso", garante o administrador da tecnológica portuguesa.

Analisar dados com sistemas inteligentes

Neste caso, através da parceria com a Altice, a Soltráfego ajuda as cidades a implementar sistemas inteligentes para a gestão de tráfego urbano e do estacionamento, de forma a facilitar a movimentação, mas sobretudo tornando este processo mais eficiente. O investimento na criação de um sistema integrado é fundamental, aponta. "Tem de haver uma rede de sensores, comunicações e as cidades têm de ter data centers - salas de comando -, onde as pessoas estão a gerir o território e as máquinas a indicar a essas pessoas como a cidade deve funcionar", explica.

Por outro lado, e porque integração é a palavra de ordem para esta transformação, a Card4B tem procurado implementar plataformas que permitam, num único sítio, juntar toda a informação em tempo real das redes de transportes públicos existentes. O líder da empresa, João Almeida, dá como exemplo o trabalho feito na cidade do Porto, onde hoje é possível utilizar e pagar os transportes públicos com o cartão bancário ou com o smartphone, de forma simples e eficiente. "O utilizador apresenta o seu telemóvel a bordo e o sistema deteta onde é que ele entrou e saiu", explica, detalhando que a tecnologia faz o cálculo automático do custo das viagens, adaptando o valor à utilização e às necessidades de cada cliente. As soluções técnicas existem, refere, basta querer implementá-las.

Integrar a "last mile"

No entanto, um dos obstáculos que se coloca na forma como os cidadãos se movimentam é a falta de integração dos transportes públicos com outras formas de mobilidade suave, como trotinetas ou bicicletas, no chamado "last mile". "Hoje isso não acontece porque os vários modos de mobilidade estão separados e isolados. Não é por falta de tecnologia, é por falta de integração", adverte Jorge Patrício, diretor de B2B na Altice. E, também aqui, a Card4B pode ajudar, garante o responsável.

Do ponto de vista logístico, em particular quando falamos da distribuição de mercadorias em espaço urbano, planear rotas, estacionamentos e até carregamentos de veículos elétricos pode ter um papel importante na forma como as empresas e os municípios gerem as suas frotas automóveis. "Ainda vivemos muito em silos de informação", critica João Santos, fundador da Gesfrota. A empresa presta apoio na gestão de frotas, procurando otimizar o tempo necessário para as deslocações e o combustível gasto. Para viaturas elétricas, a Gesfrota propõe a integração de sistemas de comunicação entre carregadores, os veículos e as cidades para tornar mais eficiente a utilização dos postos de carregamento. "Esta tecnologia e a comunicação entre carregadores, veículos e infraestrutura já existe", diz.

Sobre o futuro, os participantes no debate pedem maior colaboração entre entidades públicas e privadas, fomentando a integração de sistemas para garantir uma gestão mais eficiente do espaço público, uma melhoria na qualidade de vida e uma redução das emissões de carbono. "Vamos ganhar qualidade de vida e produtividade", acredita Nuno Oliveira.