Economia

Vinhos verdes apontam baterias ao estrangeiro

Joana Almeida Silva

 foto Pedro Granadeiro/Global Imagens

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Anselmo Mendes, produtor de vinhos​​​​​​​: "Grande parte das pessoas nem sabe onde fica Monção e Melgaço. E tudo isso é levado de uma forma mais rápida, para pôr estes vinhos em todo o mundo"|

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Duas dezenas de especialistas internacionais estão de visita a Portugal para, durante uma semana, através de cursos e de provas, descobrir o potencial dos vinhos verdes, no Porto, Monção e Melgaço. O objetivo é aumentar a presença em mercados estratégicos, como EUA ou Canadá.

Anselmo Mendes, produtor de vinhos​​​​​​​: "Grande parte das pessoas nem sabe onde fica Monção e Melgaço. E tudo isso é levado de uma forma mais rápida, para pôr estes vinhos em todo o mundo"

Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens

Jienna Basaldu é uma das sommeliers sentadas a ouvir as explicações do produtor Anselmo Mendes. Tem oito copos de vinho à frente, que vai agitando e provando. Trabalha nos EUA, num restaurante que apresenta uma carta de 3500 vinhos de todo o mundo, alguns deles portugueses, três da Região Demarcada dos Vinhos Verdes. "O que mais gosto é provar os vinhos mais antigos e ver como o Alvarinho pode evoluir, quão saborosos são os que têm 10 ou 15 anos".

O encontro, que dura cinco dias, que é promovido pela Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), junta especialistas e produtores.

Mark Guillaudeu, sommelier norte-americano: "Fiquei impressionado com a diversidade da região, do potencial de envelhecimento, do teor alcóolico. É um patamar elevado"

Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens

No caso de Anselmo Mendes, 70% da produção já é exportada. Suécia, Canadá e Rússia estão no topo da lista das encomendas. "A estratégia é fazer deles embaixadores de um produto que tenta cada vez mais ganhar protagonismo no mercado externo", diz o empresário de Melgaço, após explicar aos escanções quão determinante é colher uvas com uma temperatura baixa.

O programa da primeira edição do SOMMET inclui provas e também seminários. "Eles vêm conhecer outra família dos vinhos verdes, os mais estruturados, complexos e minerais e até com potencial de guarda bastante grande, como os Avesso ou Loureiro, e menos conhecidos", refere Carla Cunha, diretora de marketing da CVRVV.

Entre os formadores esteve o crítico Fernando Melo, num seminário sobre a complexidade do vinho e da comida. "Falta localizar na gastronomia deles o potencial dos nossos vinhos verdes. Em França, temos a "blanquette de veau" que é um prato extraordinário para um vinhão. Para um Alvarinho, dos solos duros, vou propor sushi, que pede um perfil mais alcoólico. Não tenho dúvida de que os vou mobilizar", apontou.

Mark Gillaudeu assume-se surpreendido com a diversidade de vinhos apresentada.