Economia

Ana Gomes diz que há "abundante telegrafia"sobre interesse indonésio em adquirir navios

Ana Gomes diz que há "abundante telegrafia"sobre interesse indonésio em adquirir navios

A eurodeputada Ana Gomes garantiu hoje que enviou "abundante telegrafia" ao Governo, enquanto embaixadora em Jacarta, alertando para a necessidade indonésia de navios-patrulha, rejeitando assim as acusações de ser conivente com a situação dos estaleiros de Viana.

A responsável socialista garantiu à Lusa que depois de 2001, quando o seu adido de Defesa na embaixada de Portugal na Indonésia "identificou" a "intenção" daquele país em adquirir, ao estrangeiro, 60 navios-patrulha, alertou diretamente os ministérios dos Negócios Estrangeiros (MNE) e da Defesa Nacional (MDN) de então.

O mesmo aconteceu com a administração dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC), empresa que à data já tinha preparado um projeto deste tipo de navios para a Marinha nacional, através do mesmo adido de defesa.

"Nós, nessa altura, ainda não tínhamos nenhum patrulhão feito, mas tínhamos o projeto e o modelo. O básico e elementar era a administração dos estaleiros convidar os responsáveis do projeto indonésio a vir a Portugal e a visitar a empresa, para eventualmente fazerem alguma encomenda", diz Ana Gomes.

A antiga embaixadora afirma existir "abundante telegrafia no MNE", com os seus alertas para esta possibilidade de negócio.

"O Governo esclareceu, a meu pedido, que não havia nenhum impedimento político para este negócio, porque tínhamos saído daquele período em que ninguém queria ter relações com a Indonésia. Mas nunca houve o convite [à Indonésia], que obviamente deveria partir dos estaleiros, nem do Governo português. Eu fartei-me de tentar fazer diplomacia económica na Indonésia, nesse e noutros domínios, e zero de respostas de Lisboa", criticou.

A administração dos ENVC remeteu hoje aos serviços jurídicos as declarações de Ana Gomes, ao jornal Público, segundo as quais este interesse da Indonésia em negociar com a empresa ficou sem resposta.

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Contactada pela agência Lusa, fonte da administração da empresa pública confirmou ter enviado estas declarações para análise dos serviços jurídicos dos estaleiros, estando igualmente a "ponderar" remetê-las ao Ministério Público, dizendo "estranhar" esta posição. Questiona mesmo se, na altura, Ana Gomes "tomou alguma iniciativa para denunciar a situação".

"Caso não o tenha feito, é cúmplice da situação em que se encontram os estaleiros", afirma a atual administração.

Criticas já refutadas, à Lusa, pela eurodeputada do PS.

"Acho extraordinário que digam que sou cúmplice da situação dos estaleiros. Naquela altura atuei como diplomata que era, não fiz declarações públicas sobre o assunto. Fiz todo tipo de gestão política e de diplomacia económica, que era necessária", sustentou.

"Fiz. Revelei isto porque fiz, fartei-me de o fazer. Por isso não me considero, de todo, cúmplice", concluiu.

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