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Quem enganou pessoas no BES "foram acionistas", diz antiga ministra

Quem enganou pessoas no BES "foram acionistas", diz antiga ministra

A antiga ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque disse esta quinta-feira que quem enganou as pessoas no BES "foram os acionistas", e não os responsáveis políticos que apelaram à tranquilidade com base na informação que detinham na altura.

"Quem as enganou [às pessoas] foram os acionistas do banco que fizeram o que fizeram. Essas pessoas é que os enganaram", disse Maria Luís Albuquerque, na sua audição na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Respondendo à deputada do PS Jamila Madeira, a titular da pasta das Finanças do governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP) disse perceber "que as pessoas que perderam o dinheiro se sintam enganadas, defraudadas" e afirmou ter "genuinamente a maior simpatia por esse argumento" e achar "que têm razão", mas deixou claro que "não foi o governo" que as enganou.

"Face à informação que eu tinha, à informação que me era prestada e que eu pedi que me fosse prestada, havia todas as razões para acreditar que o Banco Espírito Santo [BES] estava suficientemente protegido para não ter um problema de viabilidade ou continuidade mesmo que os riscos se materializassem", tinha dito já anteriormente Maria Luís Albuquerque.

A ex-ministra esclareceu que fez as declarações "porque havia ruído" e lhe foi perguntado, não tendo "razões para dizer outra coisa, porque objetivamente era a verdade" da informação que tinha na altura, "nem faria sentido que o ministro das Finanças expressasse dúvidas sobre a matéria, porque isso era completamente contraproducente".

"Pretender dizer daí que incentivámos as pessoas a comprar ações, senhora deputada, não me leve a mal, mas é esticar muito o argumento", respondeu à socialista Jamila Madeira.

"Não foi" discutida recapitalização pública do BES com Banco de Portugal

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Não foi", respondeu a antiga ministra à deputada do BE Mariana Mortágua, quando questionada "em que moldes é que a possibilidade de recapitalização pública foi discutida" entre as partes.

A deputada deduziu então que, "portanto, o Banco de Portugal quando falou publicamente da linha de recapitalização pública estava a falar de uma possibilidade teórica que não foi discutida diretamente com o Governo".

"Exatamente", respondeu Maria Luís Albuquerque, acrescentando que "havia essa possibilidade prevista na legislação, mas não chegou nunca a ser discutida em concreto com o Governo".

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