Salários na Saúde

Assistente operacional: "As pessoas não têm noção do que fazemos"

Assistente operacional: "As pessoas não têm noção do que fazemos"

Escolheu as urgências por "todos os dias serem diferentes" e permitirem-lhe o desenvolvimento de uma "maior capacidade de trabalho". Célia Moura é assistente operacional no Centro Hospitalar do Médio Ave há 15 anos e distribui a atividade pelo Hospital de Famalicão e pela unidade de Santo Tirso.

"A maior parte das pessoas não tem noção do que fazemos. O assistente operacional leva colheitas ao laboratório a correr, se o doente está em estado grave, acompanha-o às salas de exame, limpa-o se vomitar, leva-o à casa de banho e ouve as reclamações de quem está à espera de ser atendido", explica. Por outro lado, sem os assistentes operacionais, muitas vezes os médicos e enfermeiros não podem avançar no tratamento dos doentes.

"É preciso limpar e higienizar as macas, as salas de emergência e as de consultas", conta. Quando o doente sai de uma ambulância, o primeiro contacto que tem é com o assistente operacional, que o acompanha até à urgência. Quis o destino que, em março, o gesto de levar uma manta a uma doente da urgência numa noite fria, sem diagnóstico de Covid-19, acabasse por ser a causa mais provável da infeção pelo novo coronavírus, que entretanto contraiu e a levou ao isolamento, onde ainda permanece. Sabe que a doença está a sobrecarregar as colegas e espera poder regressar ao trabalho e à família, o mais depressa possível.

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Sobre o salário é assertiva: "Nós ganhamos muito mal". Recebe 635 euros brutos, mais cinco euros do que o salário mínimo. "Há bem pouco tempo, só recebíamos 580 euros", revela, adiantando que as pessoas que não têm necessidade não dão valor ao que é ter uma "vida regrada".

Salário: 635 Euros

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