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Associação Comercial do Porto preocupada com acordo da TAP

Associação Comercial do Porto preocupada com acordo da TAP

A Associação Comercial do Porto criticou, este sábado, o acordo anunciado pelo Governo para a reversão da privatização da TAP por representar uma "parceria público-privada" de consequências "preocupantes" para o Norte e para o país.

"O Governo assinou uma autêntica parceria público-privada, grave e ruinosa, que vai onerar as contas do país. Já sabemos o que acontece nas PPP [Parcerias Público-Privadas], os contribuintes pagam e os privados gerem e são os contribuintes de todo o país que vão pagar o preço da nova TAP Lisboa", destaca, em comunicado, o presidente da direção da ACP.

Para Nuno Botelho, o acordo hoje assinado entre o Governo e o consórcio Atlantic Gateway para a reversão da privatização da TAP representa "uma verdadeira Parceria Público-Privada de consequências muito preocupantes para o país e para o Norte e vem confirmar o abandono do Aeroporto do Porto pela companhia aérea portuguesa".

"Hoje, assistimos a algo inédito: o Governo a dizer que a TAP é pública e os privados a dizer que a TAP continua a ser privada. Ao mesmo tempo que o Estado investe na TAP, a gestão da empresa continua totalmente privada e o seu plano estratégico mantém-se inalterado", realça o responsável, segundo o qual "as decisões tomadas pela TAP nas últimas semanas, no sentido de desviar passageiros portugueses e galegos para o Aeroporto de Lisboa, não vão ser corrigidas nem revertidas".

O presidente da ACP acrescenta, no comunicado, que, com este acordo, o Governo confirma os "piores receios" da associação e mostra que "A TAP vai continuar a desinvestir no Porto a favor de uma ainda maior concentração de operações em Lisboa".

Tendo agora a "certeza" que o Porto e o Norte "não podem contar com a TAP", Nuno Botelho garante que aquela que é a região "mais exportadora e um dos principais destinos turísticos do país" irá procurar alternativas e "não ficará dependente da TAP".

O Governo de António Costa vai pagar 1,9 milhões de euros para o Estado ficar com 50% da TAP (em vez de 34%), resultado das negociações com o consórcio Gateway, que tinha 61% do capital da companhia e que agora fica com 45%, podendo chegar aos 50%, com a aquisição do capital à disposição dos trabalhadores.

O Estado compromete-se a não deter uma participação superior a 50% na TAP, que ficará na posse da Parpública, passando a nomear o presidente do conselho de administração da empresa, composto por 12 elementos - seis escolhidos pelo Estado e seis pelo consórcio privado.

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