Crise

Aumento dos combustíveis é uma "chaga" para indústria da madeira

Aumento dos combustíveis é uma "chaga" para indústria da madeira

O presidente da Associação das Indústrias da Madeira e do Mobiliário de Portugal (AIMMP), Vítor Poças, considera que o aumento de combustíveis é uma "chaga" para o setor, devido aos custos de transporte e aos materiais utilizados para o corte e transformação da madeira.

"A madeira tem um custo de transporte muito elevado, para o transportar a 100 ou 200 quilómetros fica muito caro, porque o custo de transporte aumenta o preço. Com subidas de 50% dos combustíveis, obviamente vamos repercutir isso em viagens de longa distância", aponta Vítor Poças.

O responsável sustenta ainda que as serrações trabalham muito com tratores, empilhadores e outras máquinas, "tudo movido a gasóleo, o que ainda nos prejudica mais", salienta.

"Este Governo, poucos dias depois de tomar posse, aumentou 12 cêntimos os combustíveis, prometeu que, se houvesse folga, baixavam, e não estou a ver nada", critica Vítor Poças.

Empresas vão fechar

As declarações de Vítor Poças foram feitas à margem de um debate sobre "A ameaça ao abastecimento da madeira de pinho", realizado esta quinta-feira em Cantanhede.

No debate, que juntou cerca de 150 empresas do setor, foram debatidos problemas como o aumento da matéria prima em 50% e os problemas financeiros consequentes para as empresas.

PUB

"A situação é aflitiva, porque o custo das matérias primas subiu mais de 50% e isto não tem só a ver com a crise pandémica ou a subida dos preços dos combustíveis, tem a ver com a falta de volume de madeira para sustentar as empresas portuguesas. Sabemos que uma floresta que arde 50 mil hectares por ano e se planta quatro mil por ano, estamos a caminhar para um ciclo vicioso, em que o efeito é desastroso", descreve o presidente da AIMMP.

Segundo a Associação, há 20 anos havia 1200 serrações em Portugal e, atualmente, há 350. "Sem se fazer nada, mais vão fechar", aponta Vítor Poças.

A solução, aponta, passa pela gestão mais profissional da floresta e por um investimento cada vez maior na economia circular, usando mais produtos de material reciclado e menos de material virgem.

"Em Espanha cultiva-se a terra, nós vamos ter de o fazer. E esse trabalho exige profissionalismo, e para o fazer temos de pagar aos profissionais. E para isso acontecer tem de haver uma dimensão mínima. Não podem pôr um engenheiro a trabalhar num terreno de cinco hectares. Tem de se mexer na propriedade", considera.

Presente no final do debate, o secretário de Estado das Florestas, João Paulo Catarino, lembra que existe uma verba no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) de 650 milhões de euros, dos quais 270 milhões são para arborização, 190 para faixas de interrupção de combustível, e oito milhões para capacitação técnica de organizações de produtores florestais.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG