Economia

Austeridade não pode ser a solução, defende Belmiro de Azevedo

Austeridade não pode ser a solução, defende Belmiro de Azevedo

O presidente do Grupo SONAE, Belmiro de Azevedo, defendeu, esta quinta-feira, que a austeridade "não pode ser a solução" para os problemas, alertando que é necessário também crescimento económico e financiamento às empresas.

"Os governantes dizem que este é o tempo da austeridade, mas essa não pode ser a solução. A austeridade sem crescimento e sem financiamento das empresas mata a economia, mata o emprego e mata a convicção das pessoas de que os sacrifícios valem a pena", afirmou o empresário nortenho num seminário na Universidade dos Açores, em Ponta Delgada.

Belmiro de Azevedo, que falava na cerimónia de entrega do Prémio de Excelência ao Melhor Aluno do Mestrado em Gestão/MBA, defendeu que o tempo difícil em que vivemos "reclama uma estratégia de crescimento entendida por todos e a que uma larga maioria adira".

"Vivemos tempos difíceis, mas estes tempos têm que ser catalizadores de esperança, de um esforço para arrepiar caminho", frisou o empresário, para quem é necessária "uma liderança com capacidade de visão para enfrentar toda a floresta e não apenas as duas ou três árvores que estão à frente dos olhos".

Para o empresário, "a única maneira de criar emprego é investir, por isso, a palavra-chave é criar condições para o investimento", salientando que países mais pobres como Portugal devem aproveitar sectores como a floresta, a agricultura, o mar ou o turismo.

"É justamente o oposto dos TGV e das auto-estradas, em que quase tudo é importado", frisou.

Na sua longa intervenção, subordinada ao tema "Liderança em Tempos Difíceis", Belmiro de Azevedo defendeu também a necessidade de os líderes sindicais "reclamarem o que nunca reclamaram", ou seja, "mais investimento em formação e não maiores salários".

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Apesar das dificuldades, o empresário confessou estar optimista, recordando que "ao longo da História, os grandes líderes emergiram em tempos de maiores dificuldades".

"Temos que nos começar a preparar para renascer, não podemos chorar, mas pensar sempre que amanhã vai ser melhor", afirmou Belmiro de Azevedo, para quem os portugueses têm que apostar na formação e ter mais predisposição para a "mobilidade geográfica e sectorial" como forma de assegurar melhores empregos.

O prémio de melhor aluno do Mestrado em Gestão/MBA da Universidade dos Açores, no valor de 2.500 euros, oferecidos pelo BANIF/Açores, foi entregue a Marco Silveira, que ouviu de Belmiro de Azevedo o alerta de que "o mais difícil está para vir", numa referência às dificuldades que enfrenta um empreendedor e um empresário.

"Não há lugar para acomodados na vida de um empreendedor", frisou, recordando que é preciso estar disponível para todas as consequências desta "opção de vida".

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