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Autarcas do Norte exortam Governo a travar "desrespeito" da TAP

Autarcas do Norte exortam Governo a travar "desrespeito" da TAP

Perante ataques à falta de ligações diretas no Aeroporto do Porto, companhia portuguesa diz que ainda não anunciou toda a operação para o verão de 2021.

"Uma vergonha", um "tratamento discriminatório" e "de desrespeito" é como autarcas do Norte reagem à falta de rotas da TAP no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, exortando o Governo a impedir que o Porto seja excluído do plano de recuperação.

Em causa estão medidas noticiadas, segunda-feira, pelo JN e contestadas pelo presidente da Associação Comercial do Porto (ACP), Nuno Botelho, com reposição de vários voos em outubro e a intenção de criar seis rotas no próximo verão, tudo com partida de Lisboa. A TAP referiu que não anunciou ainda "o total da operação para o verão de 2021", lembrando que "a recuperação é lenta", e declarou também que só divulgou duas novas rotas para o período entre outubro deste ano e março, uma com partida de Lisboa e outra do Porto.

"Menosprezo"

"O Governo tem que saber ouvir a região Norte. A TAP é o caso mais visível deste desrespeito. Aceito que não será por intenção, mas o resultado é o menosprezo da imensa força social e económica do Norte", disse, ao JN, Domingos Bragança, socialista que preside à Câmara de Guimarães, quando instado sobre a falta de rotas.

"Vira o disco e toca o mesmo. Não pode ser! Após a recente intervenção do Governo na empresa, o problema deixou de ser da TAP e passou a ser do país. E um Governo não pode privilegiar uma região em relação a outra. É caso para perguntar o que o país ganhou com os milhões que foram para a empresa?", reagiu Paulo Cunha (PSD), presidente da Câmara de Famalicão.

A autarca de Matosinhos, Luísa Salgueiro, disse ao JN que, "infelizmente, continuamos a assistir a uma atitude que segrega" o Norte. E "não podemos aceitar que uma região com o maior número de exportações e empresas com impacto no PIB continue a ter este tratamento discriminatório".

"Os contribuintes do Norte estão a ser prejudicados. Não podemos ficar em silêncio", diz a socialista. E a TAP, sendo de bandeira nacional e de recursos públicos, deve "servir todo o país, não só a capital", em vez de se recorrer a outros operadores. A seu ver, "o Governo deve usar o seu peso de decisão negocial para gerar atitudes mais equilibradas".

Para Marco Martins, presidente da Câmara de Gondomar, "a decisão da TAP é uma vergonha". "Só quem não está habituado a viajar desconhece a falta que fazem ligações diretas do Porto para muitas cidades europeias e o transtorno que é ir a Lisboa, com uma ponte aérea que é também uma vergonha". Além disso, "dói ver a nossa companhia a não ter serviço e termos de recorrer a uma companhia aérea estrangeira".

O autarca de Braga, Ricardo Rio, nota que "é infelizmente uma atitude de coerência da TAP". E, "desde o início do processo, não valoriza o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, ao contrário de outros operadores". Diz entender que a administração tenha "tentado promover uma auscultação dos agentes da região, mas absolutamente inconsequente".

O autarca do PSD não crê que "deva ser o Governo a inverter a posição da companhia", mas "deve fazer uma leitura" do ponto de vista dos "interesses do país". Os autarcas do Porto e Gaia não quiseram reagir à falta de rotas. No final do mês, será discutida no Conselho Metropolitano.

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