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Bancos ganharam mais de 5,2 milhões por dia

Bancos ganharam mais de 5,2 milhões por dia

BCP, CGD, Santander e BPI fecharam as contas de 2019 com lucros globais de quase 2000 milhões.

Quatro dos maiores bancos a operar em Portugal - CGD, Santander, BPI e BCP - fecharam as contas do ano passado com lucros de 1933,2 milhões de euros. São mais 145,5 milhões (+8,1%) do que em 2018. Contas feitas, lucraram por dia 5,29 milhões, em grande parte devido à venda de ativos e ao aumento das comissões.

"São os melhores resultados do banco nos últimos 12 anos", declarou Miguel Maya, presidente-executivo do BCP, ontem, em conferência de Imprensa. A instituição fechou o ano com lucros consolidados de 302 milhões, mais 900 mil euros (+0,3%) do que em 2018.

A expansão dos proveitos e a redução das imparidades e provisões explicam os bons resultados. Com uma ajuda da subida de 5,9% nas comissões bancárias. E os resultados só não foram melhores por causa da quebra nos lucros do polaco Bank Millennium.

Caixa lidera

Mas o campeão dos lucros foi a Caixa Geral de Depósitos. O banco público apresentou lucros de 776 milhões de euros, mais 280 milhões (+56,5%) do que em 2018. Para estes números contribuíram os resultados extraordinários obtidos com a venda do espanhol Banco Caixa Geral (384 milhões de euros) e do sul-africano Banco Mercantile (215 milhões). Mas também o aumento das comissões bancárias e a redução dos custos do banco, que permitiram compensar a quebra de mais de 4% na margem financeira consolidada, reflexo das taxas de juro.

Com estes números, a Caixa, que desde 2016 já reduziu em 20% o número de trabalhadores, dos quais 575 só no ano passado, prevê pagar ao Estado, único acionista, 300 milhões em dividendos. Mais 100 milhões do que um ano antes.

"Foi um bom ano. É o melhor resultado de sempre do banco", exclamou Pedro Castro de Almeida, CEO do Santander Portugal. O banco de capitais espanhóis fechou as contas de 2019 com lucros de 527,3 milhões de euros, mais 27,3 milhões (+5,5%) do que um ano antes, apesar de ter sido "um ano complexo tendo em conta os juros negativos". O aumento do produto bancário (+7%) e das comissões (+4,8%), a par da redução de custos operacionais (-2,9%) explicam os bons resultados do banco, que no ano passado reduziu em 249 o número de colaboradores e fechou 30 agências.

O ano correu menos bem para o BPI. O banco controlado pelos espanhóis do Caixabank somou lucros de 327,9 milhões de euros, menos 162,7 milhões (-33%) do que um ano antes, apesar do aumento das comissões e da venda de créditos não produtivos (malparado) e de ativos imobiliários.

Para fechar o top dos maiores bancos só faltam as contas do Novo Banco (NB). A instituição deverá apresentá-las no dia 28, mas nos primeiros nove meses de 2019 teve prejuízos de 572,3 milhões de euros, um agravamento de 46,4%, por causa de perdas relativas ao processo de reestruturação e venda de ativos não produtivos. O NB ainda tem um caminho a fazer de "limpeza" do passado até ser lucrativo", confessou o administrador Luís Ribeiro.

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