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Bancos voltam a cortar juros nos depósitos

Bancos voltam a cortar juros nos depósitos

Vale cada vez menos ter o dinheiro no banco. As taxas de juro aplicadas tendem cada vez mais para 0%. Somando comissões de manutenção de conta, muitos clientes já pagam para ter o dinheiro depositado. Tendo em conta a taxa de inflação prevista para este ano de 0,9%, o prejuízo é ainda maior.

A Caixa Geral de Depósitos (CGD) anunciou que a partir de 1 de agosto vai baixar a remuneração de depósitos, tanto de particulares como de empresas. Contas que tinham uma taxa anual nominal bruta de 0,05,% passam a ter uma remuneração de 0,015%. E, segundo uma carta que está a ser enviada aos clientes, noticiada pelo jornal "Expresso", "não serão pagos juros sempre que o valor ilíquido dos juros calculados seja inferior a um euro".

"A menor capacidade de remuneração de depósitos e poupanças pelo setor bancário assenta na necessidade de ajustamentos progressivos de modo a assegurar a sustentabilidade do setor, no atual contexto", explicou fonte oficial do banco estatal.

"No último mês, houve pelo menos dois bancos a baixar os juros em depósitos", disse António Ribeiro, analista da DECO. "Em média, os depósitos rendem 0,1%. Até zero, há sempre caminho", afirmou.

Para Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros, "é difícil cortar mais, a remuneração já está praticamente em 0% em muitos depósitos". Por detrás desta descida estão as taxas Euribor, que servem de referência aos bancos. Desde 2015 que as taxas Euribor de curto prazo registam valores negativos. A Euribor a três meses subiu ontem 0,001 pontos base para -0,343%,depois de ter descido ao mínimo de sempre de -0,344 a 21 de junho. No prazo a seis meses, a Euribor situa-se no mínimo histórico de -0,308%, enquanto no prazo a 12 meses se fixou em -0,214%, depois de ter registado novo mínimo na sexta-feira, nos -0,212%.

"Tão cedo não podemos esperar por uma subida das taxas de juro. Devemos ficar mais um a dois anos sem qualquer subida", disse António Ribeiro.

Em Portugal, os bancos não podem aplicar taxas de juro negativas aos depósitos por terem de garantir o capital. A maior parte dos bancos em Portugal já não paga aos clientes para guardar o seu dinheiro. Havendo comissões de manutenção, acabam por ser os clientes a pagar ao banco. "A tendência tem sido os clientes deixarem de ter contas a prazo e optarem por ter o dinheiro em contas à ordem", disse o analista da DECO.

Deco recomenda alternativas

O Banco Central Europeu deu sinais de que vai continuar a apoiar o crescimento económico e admitiu até poder voltar a cortar taxas. A Deco recomenda a subscrição de depósitos promocionais ou a aplicação das poupanças em Certificados de Aforro ou do Tesouro, bem como os Plano Poupança Reforma.

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