Economia

Banqueiros escutados a parodiar pedido de resgate ao Estado

Banqueiros escutados a parodiar pedido de resgate ao Estado

A revelação de escutas telefónicas a dois dirigentes do banco irlandês "Anglo Irish Bank", realizadas em 2008, nas quais fazem uma paródia sobre o pedido de resgate feito e a hipótese de nacionalização - que veio a acontecer -, estão a causar polémica na Irlanda. Os partidos da oposição já pediram a abertura de um inquérito ao resgate dos bancos em 2008.

A revelação das escutas foi feita, agora, pelo jornal "The Irish Independent". Nelas ouvem-se dois dirigentes daquela instituição bancária, David Drumm e John Bowe, a conversar, muito divertidos, sobre as mentiras que construíram para obter do Governo o apoio financeiro desejado e que impediria a instituição de cair na bancarrota.

Ambos "gozam" com o facto de terem alertado o Governo para a necessidade de uma "injeção" de sete mil milhões no banco, quando, na verdade, a instituição precisava de muito mais. Na realidade, o Anglo Irish Bank acabou por receber 30 mil milhões de euros.

Durante a conversa gravada - na qual os dois dirigentes bancários cantam, parodiam as instituições governamentais e os alemães e usam uma linguagem cheia de palavras obscenas e grosseiras - fica-se a saber que o número "sete mil milhões" foi - segundo um dos técnicos - "sacado da cartola".

Um deles dizia que não convinha avançar com o montante correto para não assustar nem o Governo nem os contribuintes. Ambos acordam que o ideal era partir dos sete mil milhões para ir aumentando a verba gradualmente, sempre recorrendo ao argumento de que seria "bem pior para toda a gente deixar o banco afundar-se".

A dada altura da conversa, os dois dirigentes sugerem a hipótese de o banco acabar por ser nacionalizado - o que na realidade veio a acontecer a 21 de janeiro de 2009 - e eles manterem-se incólumes na administração.

A Irlanda acabou por ser obrigada a salvar três bancos. Em consequência, o país recorreu a um resgate internacional de 85 mil milhões de euros.

Na ocasião dos acontecimentos, o partido no poder era o Fianna Fail - The Republican Party (Soldados da Irlanda - Partido Republicano), o maior do país. Esta força partidária defende, agora, que as gravações sejam entregues à polícia e aos reguladores do setor bancário.