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BCP quer mais bancos a pagar Fundo de Resolução

BCP quer mais bancos a pagar Fundo de Resolução

Miguel Maya alertou para os riscos de prolongar atual modelo de financiamento do Fundo de Resolução.

Financiar o Fundo de Resolução deve ser uma responsabilidade de todos os bancos a operar em Portugal e não apenas dos bancos com sede no país. Para o presidente executivo do Millennium BCP, Miguel Maya, a "fatura" do Novo Banco está a ser suportada de forma injusta pelos bancos com sede em Portugal, os quais, depois, têm de concorrer com entidades financeiras que não fazem qualquer contribuição para o Fundo de Resolução bancário português.

O presidente executivo do BCP pediu ontem, numa audição no Parlamento, que "seja feita uma distribuição mais equilibrada entre as entidades que prestam serviço financeiro" em Portugal, incluindo fintechs, como a Revolut, que tem licença bancária. Avisou que o "enorme fardo" que o Fundo representa para os bancos ameaça a sua competitividade a nível europeu e "a prazo, será muito mau para a economia portuguesa".

Também ontem, numa mensagem aos trabalhadores do BCP, a que o JN/Dinheiro Vivo teve acesso, Maya mencionou "os injustos e irrazoáveis contributos que alimentam o mecanismo de capitalização contingente do Novo Banco". Em causa estão a "contribuição especial sobre a banca e os pagamentos para o Fundo de Resolução Nacional, cujas contribuições por parte do BCP se aproximam dos 50 milhões de euros por ano e, em valor acumulado, já superaram os 400 milhões". O BCP informou os sindicatos que vai avançar o despedimento de cerca de mil trabalhadores, através de reformas e rescisões por mútuo acordo.

A Comissão que investiga o Novo Banco também ouviu Rafael Mora, antigo sócio de Nuno Vasconcellos na Ongoing. Mora surpreendeu os deputados ao afirmar que considerou que "tecnicamente" não é devedor do Novo Banco. Salientou que, do ponto de vista financeiro, seguia ordens das chefias. "Tecnicamente não sou devedor porque as empresas nas quais eu trabalhei e geri efetivamente contraíram dívidas com o Novo Banco", afirmou. "Quando eu saí, não estavam ainda em incumprimento", respondeu, acrescentando que não é acionista nem gestor de nenhuma das empresas".

Sobre o montante da dívida de 600 milhões de euros, Mora afirmou ser difícil recuperar-se o total do valor, mas apontou que se "as empresas tecnológicas e de média" tivessem sido bem geridas e reestruturadas, talvez se pudesse ter chegado aos 400 milhões de euros.

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