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BE anuncia proposta para acabar com "a ditadura da grande distribuição"

BE anuncia proposta para acabar com "a ditadura da grande distribuição"

O coordenador do BE anunciou este sábado que na sequência da última campanha do Pingo Doce vai apresentar no parlamento uma proposta para "clarificar" e "fixar regras" na relação entre as grandes distribuidoras e os produtores.

No final de uma reunião da Mesa Nacional do partido, Francisco Louçã desafiou Alexandre Soares dos Santos, presidente do grupo Jerónimo Martins, a fazer descontos de 50 por cento nos produtos em que o Pingo Doce "tem margens de lucro de 80 e 75 por cento".

"Quero deixar um desafio ao senhor Soares dos Santos: se ele quer ser levado a sério pelas pessoas que sabem quanto lhes custa pagar aquilo que é essencial para a alimentação dos seus filhos e dos seus, pois então que faça um desconto de 50 por cento em todos aqueles produtos em que já sabemos que ele tem margens de lucro de 80 ou de 75 por cento", disse.

O líder bloquista defendeu que é preciso acabar com "margens de 75 e 80 por cento" que permitiram "fazer demagogia com promoções por um dia": "Nesses bens, onde a margem é tão grande, então ele que faça 365 dias por ano esse desconto de 50 por cento com o qual está tão confortável para pessoas que vivem com tantas dificuldades".

Louçã revelou depois que o BE irá reapresentar na Assembleia da República um projeto de lei "que já apresentou no passado para fixar margens, regras e contratos entre os distribuidores e produtores e para proteger produtos essenciais".

"Tem de deixar de existir esta ditadura da grande distribuição", defendeu.

"Deve haver contratos escritos entre os produtores e distribuidores, esses contratos devem ter prazos, margens, cláusulas definidas, devem ser públicos, porque não pode ser um contrato onde a distribuidora ganha e os produtores obedecem, em que uns ganham e outros não recebem", advogou.

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O deputado e fundador do BE disse ainda que estes contratos devem ser "escritos, públicos, verificáveis" para proteger "a produção e garantir ao consumidor o melhor acesso possível aos produtos da melhor qualidade, aos preços mais justos e mais sérios para todos".

Questionado sobre se acha possível uma convergência com o Governo nesta matéria, Louçã disse já ter ouvido versões "contrárias" de membros do executivo PSD/CDS-PP (Álvaro Santos Pereira e Assunção Cristas), mas que a proposta se "dirige a todos" e que o BE "procura maioria para ela".

"Eu ouvi dois membros do Governo dizerem coisas contrárias. Ouvi o ministro da Economia dizer que bom que é e que está tão feliz, portanto a Jerónimo Martins que faça o que lhe apetecer, e ouvi uma ministra depois dizer que é bom pensar nos produtores, não ouvi o primeiro-ministro dizer nada a não ser que não tinha nada que ver com o assunto, mas a proposta que o BE quer apresentar dirige-se a todos", concluiu.

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