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BE diz que presidente do Novo Banco tem salário acima do permitido

BE diz que presidente do Novo Banco tem salário acima do permitido

A deputada do BE Mariana Mortágua disse esta terça-feira que o presidente executivo do Novo Banco, António Ramalho, tem um salário acima do permitido e é pequeno acionista da Nani Holdings, que detém o banco.

"Para além dos bónus, há pelo menos dois administradores do Novo Banco que recebem salários acima do que é permitido pelo contrato. Há um contrato que diz que só podem receber salários dez vezes superiores à média do banco, e no caso de António Ramalho, por exemplo, recebe 400 mil euros, e a média do banco [vezes dez] são 350 [mil euros]", disse esta terça-feira no parlamento a deputada do BE ao presidente do Fundo de Resolução.

Luís Máximo dos Santos está esta terça-feira a ser ouvido na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Os valores estão expressos no Relatório e Contas do Novo Banco de 2020.

"Como não é permitido por lei receber acima da média, esse excesso está a ser diferido, e como está a ser diferido é criada uma provisão, e como é criada uma provisão, vai a [chamada de] capital", prossegiu.

Admitindo que no cômputo geral se trata de "pouco dinheiro", a parlamentar bloquista entende tratar-se de "uma questão simbólica", dada a conhecer "através de um documento que o Governo enviou" à comissão de inquérito ao Novo Banco.

Questionado pela deputada sobre se o Fundo de Resolução (FdR) está a ter estes valores em conta nas injeções de dinheiro público ao Novo Banco, Luís Máximo dos Santos disse "com sinceridade" que esse tema não tinha sido abordado.

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"Até agora não foi ponderado porque estará alinhado com os compromissos assumidos perante a Comissão Europeia, ou seja, não os desrespeita", separando a questão do salário das dos bónus de gestão.

Posteriormente, a deputada do BE também disse que "os administradores do Novo Banco, inclusive António Ramalho, compraram ações da Nani Holdings", a empresa portuguesa dona do Novo Banco que é detida por uma sociedade luxemburguesa ligada ao fundo norte-americano Lone Star.

"São, neste momento, acionistas, ainda que numa pequeníssima parte, da Nani Holdings, que detém o Novo Banco. Gostaria de lhe perguntar se conhece esta situação e se não configura um conflito de interesses", perguntou a Luís Máximo dos Santos.

O presidente do Fundo de Resolução respondeu que "essa situação é matéria de análise prudencial", não cabendo ao Fundo de Resolução avaliar, sendo "mais uma matéria do Banco de Portugal".

A deputada enfatizou que "há uma administração que gere um banco, esse banco tem dois acionistas, há um enorme conflito de interesses criado por um contrato, e os administradores desse banco, já depois deste enorme conflito de interesses, ainda se descobre que têm interesses patrimoniais no acionista privado".

Mariana Mortágua considera ainda que o privado em causa, a Nani Holdings, "tem tendência a gerir o ativo de acordo com os seus lucros".

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