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Bruxelas melhora previsão do desemprego e da queda da economia

Bruxelas melhora previsão do desemprego e da queda da economia

A Comissão Europeia piorou as previsões para o défice e a dívida pública portuguesas, mas melhorou a previsão reativa ao desemprego, apontando 8,0% este ano. Bruxelas espera queda de 9,3% do PIB nacional em 2020.

A Comissão Europeia (CE) melhorou, esta quinta-feira, as previsões relativas à taxa de desemprego portuguesa para 2020, esperando agora que se situe nos 8,0%, depois de ter previsto 9,7% em maio.

A previsão é mais otimista que os números esperados para este ano pelo Governo (8,7%), pelo Fundo Monetário Internacional (FMI, 8,1%), pelo Conselho das Finanças Públicas (CFP, 10,0%) e pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE, 11,6%), sendo mais pessimista que a previsão do Banco de Portugal (7,5%).

Para 2021, Bruxelas vê a taxa de desemprego baixar para os 7,7% (6,6% em 2022), um número em linha com o do FMI (também 7,7%), mas abaixo da OCDE (9,6%), CFP (8,8%) e Ministério das Finanças (8,2%).

Em termos de emprego, a Comissão aponta para um decrescimento de 3,8% em 2020, com uma inversão para o crescimento de 2,1% em 2021 e 1,7% em 2022.

"Cerca de 750 mil empregados ou cerca de 15% do total da força de trabalho beneficiaram de várias formas temporárias de apoios do Estado no pico da crise", pode ler-se no documento das previsões económicas de outono, hoje divulgado pela Comissão Europeia.

Assim, segundo Bruxelas, "a taxa de desemprego apenas cresceu moderadamente de 6,5% em 2019 para cerca de 8% em agosto de 2020", com o emprego a decrescer cerca de 3% em termos homólogos em agosto, "mas parte do seu impacto negativo no desemprego foi compensado por um aumento da inatividade".

"Isto também resultou numa descida substancial da utilização do trabalho, incluindo baixas forçadas pagas e não pagas e uma descida massiva nas horas trabalhadas (23,6 em termos homólogos no segundo trimestre)", pode ler-se no documento.

Com a recuperação económica esperada "e mais medidas de apoio, a taxa de desemprego deverá mover-se gradualmente para o seu nível pré-pandemia, de cerca de 8,0% em 2020 para 6,6% em 2022", prevê Bruxelas.

Quanto à queda da economia portuguesa em 2020, a CE espera uma contração de 9,3%, o que compara com os 9,8% previstos em julho.

Os números agora conhecidos são mais pessimistas que os previstos pelo Banco de Portugal (queda de 8,1%) e pelo Ministério das Finanças (-8,5%), estando em linha com as previsões do Conselho das Finanças Públicas (também -9,3%), mas sendo mais otimistas que os da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE, -9,4%) e que as previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI, -10,0%).

Para 2021, a Comissão Europeia prevê um crescimento económico de 5,4% em Portugal (o mesmo valor que o previsto pelo Governo), uma revisão em baixa das suas estimativas de julho (crescimento de 6,0%), esperando ainda um crescimento de 3,5% do PIB em 2022.

O executivo europeu espera ainda uma deflação de 0,1% este ano, apontando para uma inflação de 0,9% em 2021 e de 1,2% em 2022.

De acordo com a Comissão Europeia, face à crise económica causada pela pandemia de covid-19, "o turismo foi o setor mais afetado", ficando o setor da hospitalidade "bem abaixo da sua capacidade", não devendo "recuperar totalmente no horizonte das previsões" económicas feitas por Bruxelas.

Segundo Bruxelas, para o futuro "os riscos estão ainda numa dinâmica descendente devido à alta dependência de Portugal no turismo estrangeiro, onde a incerteza permanece significativa".

"Nas componentes da procura interna, o consumo privado decresceu 13,3% (face ao período homólogo de 2019)" e "o investimento contraiu 9,8% num todo com um declínio forte em investimento em equipamentos, mas o investimento na construção manteve um crescimento positivo".

"Beneficiando de uma política de resposta do Governo à crise e ao ciclo de financiamento da UE [União Europeia], a procura doméstica deverá retomar os níveis pré-pandemia no final de 2022", projeta ainda a Comissão.

Observando que "as exportações caíram mais que as importações", Bruxelas denota que a prestação económica nesse campo "diferiu bastante entre bens e serviços".

"Ao passo que a balança de bens melhorou e os volumes de comércio recuperaram a um ritmo sólido, a balança de serviços sofreu uma larga deterioração e tem perspetivas de recuperação muito piores", segundo o executivo europeu.

A sustentar o pessimismo nesta área, Bruxelas assinala que "o turismo estrangeiro, que contabilizou 52% das exportações de serviços em 2019, caiu mais de 90% no segundo trimestre deste ano e permaneceu substancialmente abaixo dos níveis pré-pandemia durante o verão".

"Como grande parte do setor depende do transporte aéreo, Portugal também está a ter uma maior concorrência de destinos a que se chega mais frequentemente por estrada", assinala Bruxelas.

A Comissão Europeia espera uma contração de 21% exportações e de 15,6% das importações em 2020, esperando uma recuperação de 9,7% e 7,5%, respetivamente, em 2021, baixando depois para um aumento de 5,4% nas exportações e 5,0% nas importações em 2022.

Em sentido contrário, a CE piorou as previsões para o défice e a dívida pública portuguesa para 2020, esperando um saldo orçamental de -7,3% do Produto Interno Bruto (PIB), como o Governo, e uma dívida pública de 135,1% do PIB.

Além de igualarem a previsão do Governo para o défice em 2020, as previsões económicas de outono são mais otimistas que as do Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê um saldo orçamental de -8,4% do PIB, e que as da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE, -7,9%), sendo mais otimistas em uma décima (-7,2%) que as do Conselho das Finanças Públicas (CFP).

Relativamente à dívida pública, o número é mais negativo em três décimas do que o esperado pelo Governo (134,8% do PIB), mas mais otimista face às previsões do FMI (137,2%), CFP (137,6%) e OCDE (135,9%).

Os números agora conhecidos contrastam com as previsões económicas de primavera feitas pela Comissão Europeia em maio, altura em que o executivo europeu esperava que o défice português atingisse os 6,5% do PIB e que a dívida pública subisse até aos 131,6% do PIB este ano.

A Comissão divulgou ainda os números previstos para 2021 e 2022, apontando para um défice de 4,5% do PIB no próximo ano (o Governo prevê 4,3%), e de 3,0% em 2022, valor já dentro das regras orçamentais de Bruxelas, que preveem precisamente um máximo de 3% de défice no saldo orçamental (o Governo prevê 2,8%).

Já quanto à dívida pública, o executivo europeu espera uma redução dos 135,1% do PIB este ano para 130,3% em 2021 (o Governo prevê 130,9%) e para 127,2% em 2022.

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