Economia

Casal com dois filhos deveria poder gastar por mês 766 euros em alimentação

Casal com dois filhos deveria poder gastar por mês 766 euros em alimentação

Um casal com dois filhos deveria poder gastar por mês 766 euros em alimentação para viver condignamente e, como em média, os portugueses gastam um quarto do seu rendimento com alimentação, teria de auferir cerca de 3 mil euros.

Os dados, provisórios, relativos aos orçamentos familiares de despesa alimentar, constam do projeto-piloto para o desenvolvimento de uma metodologia comum na Europa para Orçamentos de Referência, que, em Portugal, esteve a cargo de uma equipa de investigadores coordenada por José António Pereirinha, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), da Universidade de Lisboa.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador para Portugal explicou que se trata de um projeto europeu com vista a definir uma rede de peritos, encontrar um quadro teórico e uma metodologia comum, bem como um orçamento de referência alimentar para as capitais dos países.

De acordo com José António Pereirinha, foram definidos cinco tipos de famílias: homem adulto, 40 anos, a viver sozinho; mulher adulta, 40 anos, a viver sozinha; casal de adultos, 40 anos, sem filhos; mulher adulta, 40 anos, com dois filhos (rapaz 10 anos e rapariga 14 anos); casal de adultos, 40 anos, dois filhos (rapaz 10 anos e rapariga 14 anos).

"Podemos dizer que um casal com dois filhos deve poder ter rendimento que lhe permita gastar 766 euros por mês em alimentação", adiantou o responsável.

Para este valor contam 665,65 euros para o cesto de compras, onde se inclui não só a comida saudável, como os equipamentos de cozinha ou a alimentação que é requerida para ter uma atividade física, e 100,34 euros em funções sociais que a alimentação também tem.

"Isto quer dizer que para viverem dignamente têm de ter isto e mais o resto e o resto é habitação, vestuário, transportes, etc.", apontou José Pereirinha.

PUB

A metodologia para chegar a este valor teve em conta recomendações internacionais, orientações políticas nacionais e opiniões de peritos especialistas em nutrição, além de trabalho em "focus group" com 25 pessoas, para se conseguir definir planos alimentares que tivessem em consideração os hábitos alimentares dos portugueses.

José António Pereirinha frisou que não é possível ainda tirar qualquer ilação relativamente ao valor total do rendimento que a família deve ter para viver com dignidade, mas apontou "que, em média, as famílias portuguesas gastam em alimentação um quarto das suas despesas totais".

"Se esta família com dois filhos tiver que gastar 766 euros em alimentação, se respeitar esta média e gastar um quarto da sua despesa em alimentação, teria que ter quatro vezes isto, ou seja, 3 mil euros por mês para poder viver dignamente", apontou o especialista.

Este estudo, apresentado publicamente na segunda-feira, teve em conta a despesa com alimentos, os equipamentos de cozinha e com o que é gasto com a função social da comida, ou seja, receber convidados em casa, comprar comida fora, comer em restaurantes, celebrações ou despesas em viagens ou férias.

O estudo mostrou que os portugueses revelaram sensibilidade em relação aos aspetos culturais como a socialização que é feita à volta da comida, olhando para estes aspetos como necessidades. "Em Portugal chega a ser mais de 10% do total das despesas alimentares", apontou José António Pereirinha.

O responsável apontou que as diferenças entre os países europeus no que respeita à despesa alimentar para uma dieta equilibrada é menor do que as diferenças entre os países no que respeita ao rendimento familiar disponível.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG