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Caso GameStop motiva reuniões de alto nível político em Washington

Caso GameStop motiva reuniões de alto nível político em Washington

O caso GameStop passou para o terreno da política em Washington, onde, por entre apelos a maior controlo das práticas bolsistas, a secretária do Tesouro reuniu com reguladores do mercado de capitais.

"Organizo hoje uma reunião com os principais reguladores (...), bem como com a Reserva Federal, para discutir o que se passou", anunciou Janet Yellen, durante a manhã, na estação televisiva ABC, na que foi a sua primeira entrevista enquanto secretária do Tesouro.

"Devemos assegurar-nos que os nossos mercados financeiros funcionam corretamente e que os investidores estão protegidos", acrescentou.

O vento de pânico que soprou sobre Wall Street na semana passada levou a ministra de Joe Biden a solicitar esta reunião, apenas alguns dias depois de tomar posse.

Para o encontro foram convocados os dirigentes do regulador bolsista (SEC, na sigla em Inglês) e dos mercados de futuros de matérias-primas e agrícolas (CFTC), bem como do banco central [Reserva Federal (Fed)] e da antena deste em Nova Iorque, que acompanha de perto o quotidiano em Wall Street.

Não se esperam anúncios de qualquer decisão da reunião.

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Questionada sobre a eventual aplicação de sanções, Yellen comentou: "Antes de agir, precisamos de compreender o que se passou, mas estamos a ver muito atentamente estes acontecimentos".

Contudo, vários congressistas, tanto republicanos como democratas, em uma rara aliança, exigiram uma alteração das regulamentações das transações. O Tesouro não tem poder de regulação, mas pode influenciar os reguladores.

No comunicado do Tesouro, de terça-feira, em que anunciou a reunião, avançou-se que o objetivo era garantir "a compatibilização das atividades recentes com a proteção dos investidores e mercados equitativos e eficazes".

Na semana passada, a ação da cadeia de lojas de videojogos GameStop subiu 400%. Depois de começar o ano a cotar 17 dólares por ação, na passada quinta-feira alcançou os 483 dólares e fechou janeiro com uma valorização de 1.600%.

Atrás desta valorização estonteante, de um título que não se encontrava com boa saúde, está um exército de pequenos investidores, ativos em particular no sítio comunitário Reddit e adeptos de plataformas de corretagem como a Robinhood, que se associaram contra os fundos especulativos que tinham apostado na desvalorização da GameStop, através de uma técnica chamada vendas a descoberto ('short-selling', em Inglês).

Entretanto, houve outros fundos que entraram na confusão para beneficiar e realizar ganhos.

O funcionamento de Wall Street foi perturbado, tal como o mercado de futuros da prata.

A situação voltou a realçar a insolente boa saúde da praça nova-iorquina, em total desconexão da economia real dos EUA.

E, por outro lado, a responsabilidade da Fed foi realçada, uma vez que inundou os mercados de liquidez, quando a atividade económica foi paralisada em março pela pandemia, para apoiar o funcionamento dos mercados e a concessão de crédito, evitando que o consumo caísse ainda mais.

O caso GameStop também colocou os holofotes nas práticas financeiras, como o "short-selling".

O envolvimento de Yellen neste 'dossier' precisou de uma autorização especial, informou a comunicação social norte-americana.

Com efeito, antes de ser escolhida por Joe Biden para a cabeça do Tesouro, tinha recebido cerca de 700 mil dólares (585 mil euros) de um dos principais atores do caso GameStop, a sociedade de investimentos Citadel, por discursos pronunciados em conferências sobre a economia, depois de ter saído da presidência da Fed, em 2018.

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