Economia

Catroga diz que se perdeu oportunidade histórica para reduzir salários

Catroga diz que se perdeu oportunidade histórica para reduzir salários

O economista Eduardo Catroga sustenta que face ao actual momento de crise financeira Portugal perdeu uma "oportunidade histórica" de reduzir salários nos sectores público e privado, defendendo um corte médio de 10% nos vencimentos.

"O que eu diria é que haveria uma redução salarial e pagava o 13º e 14º mês em obrigações do Tesouro (...) Mas não aumentava os impostos", disse Eduardo Catroga, durante uma tertúlia no Casino da Figueira da Foz.

Questionado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, anfitriã da tertúlia "125 minutos com..." sobre a percentagem de redução que advoga, o ex-ministro das Finanças situou-a "à volta dos dez por cento, em média".

"Uns [reduziam] zero, outros cinco e outros trinta [por cento]", frisou.

Já o pagamento dos subsídios de férias e Natal em obrigações do Tesouro, classificado de "poupança obrigatória" só poderia decorrer, segundo Catroga, "dando tempo às pessoas".

"Não era agora, à pressa", sustentou.

A redução salarial, defendeu, abrangeria "toda a gente", dos sectores público e privado e configura "uma condição para a retoma da confiança dos mercados na economia portuguesa".

Para Catroga é preciso "os mercados convencerem-se que nós somos capazes de tomar medidas para que no futuro tenhamos capacidade contributiva para pagarmos as dívidas".

Numa intervenção que se prolongou por cerca de duas horas e meia, o antigo titular da pasta das Finanças disse ainda que os salários na economia portuguesa, nos sectores público e privado, "subiram mais do que a produtividade nos últimos dez anos".

"Os salários reais só podem aumentar com o aumento da produtividade da economia. De contrário estamos a dar tiros no pé", afirmou.

Sobre as medidas de austeridade definidas pelo Governo, Eduardo Catroga disse esperar "novas medidas", avisando que as anunciadas não chegam para atingir os objectivos orçamentais.

"Se não se definir um programa mais radical de redução da despesa pública este aumento de impostos não vai chegar", sublinhou.

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