Crise

Centenas de famílias já pedem apoio à Deco por falta de liquidez

Centenas de famílias já pedem apoio à Deco por falta de liquidez

Desde que foi declarado o estado de emergência, o telefone não pára de tocar com pedidos de ajuda para esticar um orçamento familiar cada vez mais curto.

"Há muitas famílias com recibos verdes que viram os rendimentos reduzidos e estão com dificuldade em honrar os compromissos, como crédito à habitação, mas também ao consumo e cartões de crédito", adianta Natália Nunes, do gabinete de proteção financeira da Deco.

Mas o desespero já se alargou a outros. "Pessoas que trabalham em pequenas empresas que fecharam e ficaram sem emprego, não sabem se vão ou não ser postas em lay-off ou se vão ter para onde regressar findo o estado de emergência, e não sabem a quem recorrer ou se no fim do mês vão ter rendimento. Há um grande desespero", relata.

Quem liga, pede informação sobre as moratórias previstas no crédito à habitação e nas rendas, sobretudo porque muitos não entendem em que situações se aplica. As medidas são um "balão de oxigénio" para as famílias, reconhece a responsável da Deco, mas deixa um alerta. "Não nos podemos esquecer que é temporário. Daqui a seis meses terão de retomar os pagamentos."

Perante a quebra de rendimento, qual é a primeira fatura que deixam de pagar? Natália Nunes explica que, com restaurantes e cafés fechados, corta-se na compra de roupa e sapatos. "As pessoas resistem até à última a deixar de pagar a prestação da casa, da água, da luz e do gás. Fazem ginástica com o orçamento, levam o pagamento até ao limite do prazo porque, se não pagam, há interrupção. O último mesmo é o crédito à habitação."

As medidas de emergência aprovadas pelo Governo retiram algum peso a este aperto, já que proíbem o corte de serviços essenciais. Durante o estado de emergência e no mês subsequente, não é permitida a suspensão do fornecimento de água, energia elétrica, gás natural e comunicações eletrónicas, diz a lei. "O que vimos na última grande crise é que as pessoas trocam os produtos por opções mais baratas. Na carne e no peixe, que têm preços mais altos, corta-se muito", descreve. E também na farmácia.

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