Ministro das Finanças

Centeno diz que 'banco mau' é "matéria muito sensível"

Centeno diz que 'banco mau' é "matéria muito sensível"

O ministro das Finanças, Mário Centeno, diz que a questão do 'banco mau' "é uma matéria muito sensível", remetendo uma declaração para quando a análise desta questão "estiver mais assente em Portugal".

Mário Centeno reagia, assim, quando questionado, a um artigo de opinião assinado pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, publicado hoje no Jornal de Negócios, no qual Carlos Costa defende o conceito de 'banco mau' como solução para resolver o peso do crédito malparado.

"É um assunto que tem uma dimensão europeia, já foi reconhecido como tal, tem uma dimensão nacional, é uma matéria muito sensível da qual eu gostaria de falar quando a análise dessa situação estiver mais assente em Portugal", disse o governante.

Mário Centeno disse que a matéria não merece, neste momento, "nenhum comentário".

No artigo de opinião, Carlos Costa explica que "não será um banco, uma vez que não receberá depósitos nem concederá crédito", adiantando que poderia funcionar através da concretização das necessárias garantias associadas: uma nacional e uma europeia, no caso, o Mecanismo Europeu de Estabilidade.

"Na falta de investidores privados e dada a natureza sistémica dos problemas dos ativos não produtivos, será necessário um esquema público nacional e europeu que garanta a cobertura das necessidades do capital e que as minimize", afirma o Governador do Banco de Portugal, acrescentando que "esse esquema poderá ser uma garantia do soberano e uma contragarantia do Mecanismo Europeu de Estabilidade".

Nesse sentido, "é necessário negociar com a Comissão Europeia uma isenção ('waiver') em moldes semelhantes à que foi decidida no início da crise do 'subprime', em 2008", explica Carlos Costa.

Segundo explica o Jornal de Negócios, "a inspiração geral" é o modelo italiano que conheceu a concordância de Bruxelas, "mas com possíveis adaptações".

Mário Centeno participa hoje e quarta-feira no Fórum da OCDE e na reunião ministerial do Conselho desta organização na quarta-feira, no âmbito da Semana OCDE 2016, na qual também participa o ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral.

A Semana OCDE 2016 junta ministros, peritos internacionais e figuras destacadas do mundo académico e empresarial e da sociedade civil, estando no centro dos debates questões como fortalecer a produtividade e garantir que os benefícios do crescimento económico são partilhados por todos, nomeadamente pelos grupos mais afetados pela mudança nas tendências sociais e económicas -- migrantes, crianças e juventude, mulheres e idosos.

O Fórum da OCDE, subordinado ao tema Economias Produtivas, Sociedades Inclusivas, acolhe cerca de 80 debates, apresentações e outros eventos sobre temas que vão desde o futuro do trabalho à integração de migrantes, das cidades inclusivas à cibersegurança.