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Centros comerciais e lojistas prontos para reabrir pedem mais apoios

Centros comerciais e lojistas prontos para reabrir pedem mais apoios

A reabertura dos centros comerciais marca o arranque, esta segunda-feira, da terceira fase de desconfinamento em quase todo o país.

É um "regresso muito ansiado pelos lojistas", depois de um segundo confinamento "muito mais duro", que em janeiro apanhou as "tesourarias das empresas completamente debilitadas". Três meses depois, mais de oito mil lojas abrem hoje portas nos shoppings, que garantem estar preparados para receber os visitantes, mas insistem em mais apoios.

"Os centros comerciais contam com a experiência acumulada do ano passado, quando foi possível manter os centros e o retalho em funcionamento sem que estes representassem qualquer tipo de risco, com as várias medidas adotadas", adianta Rodrigo Moita de Deus, da Associação Portuguesa de Centros Comerciais.

Mas o segundo fecho deixou marcas. Se no ano passado encerraram 200 lojas nos shoppings, neste ano, esperam "um impacto muito semelhante (ou superior) ao ano de 2020", admite. O setor emprega, direta e indiretamente, mais de 300 mil pessoas.

Desde que a pandemia aterrou no país, em março do ano passado, os retalhistas estiveram sete meses com as lojas encerradas e outros seis a funcionar com limitações de horário e lotação. "Tem sido muito duro. Mas, como sempre, os lojistas cumprem escrupulosamente (e até diria que vão mais além) as medidas de segurança", assegura Miguel Pina Martins, da Associação de Marcas de Retalho e Restauração (AMRR).

Sinalética no chão para manter o distanciamento social e fluxos de circulação, reforço das rotinas de limpeza (até dos sistemas de ventilação) e das equipas, colocação de mais dispensadores de álcool gel em zonas de grande circulação, nas máquinas Multibanco, por exemplo, e instalações sanitárias com sistemas sem toque são algumas das medidas elencadas pelos centros. Alguns implementaram serviços de drive-in, permitindo recolher a compra online sem sair do carro.

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Controlo da lotação

Mas a tecnologia também é usada para manter os rácios de lotação nos shoppings: cinco pessoas por cada 100 metros quadrados. Nuns casos são usadas aplicações que contabilizam as entradas, como refere Carlos Costa, da Nhood Portugal, a gestora dos Alegro. Outros recorrem a um QR Code que dispara um alerta quando a lotação se aproxima do limite, descreve Luís Arrais, da CBRE Portugal, que gere oito centros.

Quanto às relocalizações, fechos e aberturas de lojas, Cristina Santos, administradora dos centros Sonae Sierra, resume: "Há algumas lojas (poucas) que não vão reabrir". Trocar espaços de loja por outros mais pequenos, menos onerosos, não é uma tendência galopante e, embora as relocalizações, tal como os encerramentos, sejam situações que "ocorrem naturalmente", como era "expectável", foram "mais frequentes no contexto da pandemia", admite.

Apoios à retoma

Os lojistas temem pelo futuro. Entre as mais de 3500 lojas representadas pela AMRR, "97% consideram muito importante a isenção das rendas ou do apoio ao seu pagamento durante o período de encerramento, assim como 74% consideram muito importante que as moratórias de crédito sejam prolongadas", relata Miguel Pina Martins. "Sabemos ainda que 82% das empresas destes setores admitem despedimentos perante a ausência de apoios em 2021", acrescenta.

Concelhos ainda confinados

Há seis concelhos (Alandroal, Albufeira, Carregal do Sal, Figueira da Foz, Marinha Grande e Penela) que vão permaner com as regras de confinamento até aqui em vigor, por terem uma taxa de incidência da covid-19 de 120 casos por 100 mil habitantes, e quatro (Moura, Odemira, Portimão e Rio Maior) que terão de regredir, por terem 240 casos por 100 mil habitantes, e onde serão aplicadas as restrições decretadas em janeiro.

O que é retomado a partir de hoje

A par dos centros comerciais é o regresso às aulas presenciais para todos os níveis de ensino (em todos o país), a reabertura de cinemas e espaços culturais, das lojas do Cidadão, dos espaços interiores dos restaurantes e cafés (com limites), o levantamento de algumas restrições para a atividade física e para eventos de exterior, bem como a retoma dos casamentos e batizados (com lotação).

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