Análise

CEO portugueses ganharam 32 vezes mais do que trabalhadores em 2021

CEO portugueses ganharam 32 vezes mais do que trabalhadores em 2021

Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, lidera o "ranking da disparidade", segundo a análise da Deco Proteste. Gestor recebeu 262,6 vezes mais face à média dos salários dos trabalhadores da dona do Pingo Doce, em 2021.

Os presidentes executivos (CEO) das principais empresas cotadas na bolsa portuguesa auferiram, em média, 32 vezes mais do que os trabalhadores em 2021, concluiu a Deco Proteste numa análise aos salários dessas companhias.

Pedro Soares dos Santos, CEO da Jerónimo Martins, foi o gestor que mais rendimentos encaixou: 3,075 milhões de euros, um valor que representa um crescimento de 19,3% face a 2020, de acordo com a nota enviada à redação. Os ganhos do CEO da dona do Pingo Doce foi "262,6 vezes superior à média dos salários dos restantes trabalhadores da empresa, a qual detém a maior disparidade salarial" entre as organizações analisadas. A este valor somam-se mais 9,3 milhões de euros, que corresponde a uma contribuição extraordinária para o plano de pensões, de acordo com o Relatório de Governo da Sociedade da Jerónimo Martins de 2021 (valor não entrou na análise da Deco Proteste).

"No ranking da disparidade", como classifica a Deco, seguem-se a CEO do grupo Sonae, Cláudia Azevedo, que auferiu [1,6 milhões de euros] uma remuneração 77,4 vezes superior à dos trabalhadores do grupo, e Gonçalo Moura Martins [848,7 mil euros], CEO da Mota-Engil, cujos rendimentos totalizaram 73,3 vez mais do que a média dos salários dos restantes trabalhadores da construtora.

No entanto, os CEO que obtiveram os maiores rendimentos anuais, em 2021, foram Pedro Soares dos Santos, Cláudia Azevedo, e Miguel Stilwell d'Andrade, CEO do grupo EDP. Os ganhos deste último gestor ascenderam a 2,23 milhões, 46,4 vezes mais do que o salário médio dos trabalhadores do grupo.

Citado na nota enviada, João Sousa, coordenador da Proteste Investe, revista da Deco onde consta esta análise, explica que os dados apresentados "ajudam a perceber as grandes diferenças em matérias de remuneração dos CEO em Portugal".

"Em teoria, a política de remunerações necessita do voto vinculativo dos acionistas. No entanto, a declaração sobre a política de remunerações é, na prática e na maioria dos casos, muito vaga e não permite que seja votada, de forma individualizada, a remuneração dos membros do conselho de administração, ao contrário do que defendemos", prossegue.

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Nesse sentido, "é desejável", realça o responsável, que "a remuneração de cada administrador seja objeto de votação anual em assembleia geral de acionistas", bem como que se fixe "um máximo para o rácio entre a remuneração do presidente da comissão executiva e a média dos restantes trabalhadores". "Ainda que possa variar em função do setor de atividade, é necessário haver limites", defende.

A análise da Deco Proteste incidiu sobre 17 organizações, nomeadamente 14 das 15 empresas listadas no principal índice bolsista português (PSI) - menos a Greenvolt "por ser muito recente e não ter dados consistentes para a análise" - e outras três empresas acompanhadas pela Deco (Cofina, Impresa e Novabase). A discrepância entre salários "é superior a 20 em 11 das 17 empresas analisadas".

"Para o conjunto das 17 empresas, o rácio passou, entre 2020 e 2021, de 29,6 para 32,2. Na base desta subida está, sobretudo, o aumento da remuneração variável dos CEO (+27,8%), nomeadamente na Mota-Engil, Navigator, BCP, Impresa, EDP, Sonae e Semapa, que pode ser parcialmente explicado pela melhoria dos resultados das empresas, mas não na sua totalidade. Em comparação, o vencimento médio dos restantes trabalhadores aumentou, no mesmo período, apenas 2,7%", lê-se.

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