Economia

Cerca de 2500 agricultores mostraram descontentamento com políticas de distribuição do leite

Cerca de 2500 agricultores mostraram descontentamento com políticas de distribuição do leite

Mais de 2500 agricultores manifestaram-se, este sábado, no Porto numa acção que envolveu cinco organizações nacionais e que serviu para demonstrar o descontentamento do sector com as políticas de distribuição e exigir um regime de regulação das marcas brancas.

"Não estamos contra a distribuição, não somos nem queremos ser inimigos da distribuição, queremos ser parceiros e que haja uma justa repartição de valor e que todos ganhem neste negócio. Que ganhem os produtores, a indústria, a distribuição e também o consumidor", salientou Fernando Cardoso, secretário-geral da FENALAC (Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite) no final de uma reunião com o director da loja do Continente de Matosinhos.

Depois de se reunirem frente à Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte, os milhares de agricultores marcharam calmamente, acompanhados de tractores, até àquela superfície comercial onde foram recebidos pelo representante num encontro que durou pouco mais de 10 minutos.

"Foi um encontro curto, cordial, em que todos pudemos mostrar as nossas posições da parte do sector agrícola com particular destaque para o caso do leite. Fomos ouvidos e prometeram-nos que iriam reencaminhar as nossas preocupações para os responsáveis desta cadeia de distribuição e contamos que haja um desfecho positivo", explicou Fernando Cardoso.

O porta-voz frisou que os produtores não pretendem ver os preços dos produtos aumentados, mas sim que "reflictam os custos de produção e sejam acessíveis aos consumidores".

Sobre a concorrência dos produtos não nacionais, o responsável lamentou a existência de uma "uma guerra brutal ao nível da distribuição", uma "guerra de aparência e de comunicação de quem é que consegue por os produtos a um preço mais baixo".

"As importações, a preços abaixo de custo, são muitas vezes uma arma de chantagem, perante a produção nacional", criticou Fernando Cardoso para quem essa situação "muito grave" acaba por impedir e destruir "toda a cadeia de valor agrícola nacional".

O dirigente da FENALAC defendeu ainda criação urgente de um regime de regulação das marcas brancas que "devem obedecer a um regime legal muito mais apertado".

"As marcas brancas significam que os operadores de distribuição são produtores e comerciantes" o que é "uma clara incompatibilidade" já que "deve haver uma separação de águas e quem produz não pode ou não deve comercializar esses mesmos produtos", sublinhou.

Denunciou mesmo que "a distribuição usa todo um conjunto de informação confidencial e muito importante que obtém ao nível da comercialização e ao nível da negociação com os fornecedores que depois usa na própria produção das marcas brancas".

Sem conflitos ou contratempos, a manifestação começou a desmobilizar ao início da tarde.