greve

CGTP diz que setor portuário está sob uma "enormíssima ofensiva"

CGTP diz que setor portuário está sob uma "enormíssima ofensiva"

O secretário-geral da CGTP afirmou, esta segunda-feira, que o setor portuário está sob "uma enormíssima ofensiva do Governo", que visa a sua liberalização e despedimentos e manifestou solidariedade com a luta dos trabalhadores portuários, que estão em greve.

Os portos portugueses estão totalmente paralisados desde as 00.00 horas, devido à greve dos pilotos de barra e dos trabalhadores de tráfego, disse à agência Lusa Carlos Coutinho, do sindicato Oficiaismar, que representa os oficiais de marinha mercante.

Para o líder da CGTP, Arménio Carlos, que esteve presente junto à torre de controlo marítimo VTS, em Algés, além das reivindicações dos trabalhadores serem "justas do ponto de vista sócio laboral", têm também "uma visão estratégica" de como deve ser o funcionamento do setor portuário.

"O setor portuário está, neste momento, sobre uma enormíssima ofensiva do Governo, visando a sua liberalização, os despedimentos e, simultaneamente, uma outra organização do setor portuário, que, na nossa opinião, não corresponde aos interesses do país, nem aos interesses da população", disse Arménio Carlos, no porto de Lisboa, onde não havia qualquer movimentação de navios.

O dirigente sindical adiantou que uma nova organização do setor portuário pode, "eventualmente, corresponder ao interesse de grupos económicos e financeiros mais interessados no negócio", mas é uma situação que irá "aprofundar os problemas que já existem".

A luta dos trabalhadores portuários envolve vários sindicatos, o que, para o sindicalista, constitui "mais um exemplo" de que estas estruturas "estão unidas na ação para defender os seus direitos, mas sobretudo para defender o setor portuário de acordo com os interesses nacionais e não com os interesses de alguns amigos do Governo".

O dirigente do sindicato Oficiaismar, Carlos Coutinho, que também de deslocou ao porto de Lisboa, adiantou à Lusa que a reivindicação dos trabalhadores deve-se à "degradação das condições de trabalho dos oficiais de marinha mercante", que está a pôr em causa a sua integridade física.

"A intensidade de trabalho é de tal maneira violenta que já temos tido vários oficiais de Marinha Mercante, particularmente pilotos de barra, acidentados e, portanto, temos reclamado ao Governo a elaboração de um enquadramento legal que crie condições para habilitar os nossos oficiais com carteiras profissionais para criar condições novas para a aposentação", adiantou.

Por outro lado, apontou, tem havido uma "degradação constante das condições de carreira, que têm levado muitos [pilotos] a emigrar" para a Arábia Saudita, uma situação que provocou a falta de efetivos nos portos. "O que queremos é repor os efetivos necessários para que a intensidade de trabalho seja justa", defendeu.

"O que nós queremos é ter um parceiro, que é o Governo, que estabeleça uma relação de negociação efetiva com quem representa os trabalhadores marítimos e portuários e deite fora aquele simulacro de acordo que fez com alguns pequenos sindicatos que não têm qualquer representatividade ativa no funcionamento dos portos portugueses", apelou.

Na sexta-feira passada, depois do anúncio do acordo entre o Governo, sindicatos e operadores, o Sindicato dos Estivadores, Trabalhadores do Tráfego do Centro e Sul de Portugal decidiu "endurecer ainda mais a luta", tendo emitido um pré-aviso de greve parcial nos portos de Lisboa, Setúbal, Figueira da Foz e Sines entre 29 de setembro e 22 de outubro.

O acordo, celebrado entre o Governo e a União Geral de Trabalhadores (UGT), a Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários, a Associação dos Operadores Portuários dos portos do Douro, Leixões e Lisboa, e o Grupo Marítimo-portuário Sousa, vai ao encontro do compromisso que o Estado português assumiu no memorando de entendimento com a 'troika'.